Incompanhia

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Todo o mundo no palco

Dezembro 11, 2017

Delcy Reis

Olá, pequeno grande mundo. Escrevo este pequeno texto para partilhar o momento que hoje me trouxe muito. Trindade, teatro encantador e acolhedor de Lisboa onde vi, efectivamente todo o mundo num só palco. Sala intima, com um belo lustre. Dezanove artistas. Sim, para mim e, independentemente de o saber ou não, são todos artistas, que souberam representar a sua vida, de uma forma tão simples, mas ao mesmo tempo tão rica. Cada um, num espaço temporal de cerca de duas horas, partilhou o seu pequeno mundo, como entraram e porque o fizeram, neste nosso pequeno cantinho do ocidente. E que mundos tão diferentes e, cada um deles com emoções tão bem transmitidas: o desespero, a solidão, a tristeza, a alegria. Com um olhar, um grito, uma dança. Ajudou, ajudou a perceber melhor o papel que não temos, e que a vida e o nosso percurso é que nos vai construindo. Que o sonho, como o grande poeta António Gedeão uma vez escreveu, comanda a vida. O sonho de cada um deles, fez com que viessem para Lisboa: ou porque esta se assemelharia a uma Baía do Brasil, ou porque proporcionaria estudos que o seu país não daria, ou porque simplesmente representava um começo novo. A oportunidade de serem artistas num palco, e que a sua vida dá uma peça de teatro. E para alguns deles um começo sem nada, onde tudo foi perdido, família, bens, rumo. Onde, apenas as suas capacidades, e aquilo que gostavam de fazer os moveu. Ou então apenas a necessidade de sobreviver. De preencher um ego tantas vezes posto em causa. Aprendi a valorizar e estimar o que tenho, e que poderá ser pouco mas que me preenche na sua pequenez: família, bem estar e paz de espírito É legitimo que, cada um de nós tenha um caminho a percorrer, tantas vezes diferente daquele que sonhamos, tantas vezes destruído sem percebermos porquê. Percebi que ambição faz parte de cada um de nós, e esta sempre que presente alimenta o nosso ego que, deve cada vez mais e com o tempo, se deve ir ajustando, e talvez reduzindo, para podermos estar em paz. Duas horas, onde ri, chorei, pensei senti. Cada palavra, cada grito de desespero tão bem representado e transmitido. O palco, que foi Lisboa, abraçou 19 artistas, de uma forma calorosa, onde a diferença cultural, de percepção de cultura, foi visível e conseguiu comungar em paz. Sonhar que o mundo sobreviva tendo por base a música, o jogo de sombras de um par de mãos, uma dança não contada do filho pródigo. Sonhar que somos felizes só pela partilha. Duas horas em que saí do meu enredo de problemas. Duas horas em que sai da obrigação do ser. Estive, e fui feliz, com todo o mundo num só palco.

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