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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Tendências. Pandemia.

15.09.20 | Delcy Reis

E estamos de facto a viver uma pandemia a nível mundial. Onde a humanidade e individualidade de cada um é posta em causa. 

Onde eventuais gavetas estruturadas, de foro profissional e pessoal são baralhadas e misturadas.

Onde quem, sem o devido suporte familiar, poderá eventualmente acreditar que o suporte familiar acontecerá noutros grupos, noutros meios.

E cada vez mais acredito que o nome deste blog faz sentido e foi, na altura visionário, por saber que estamos constantemente e coerentemente a ser incompanhados.

Tempos que premeiam em nós, não vivendo no habitat que nos é familiar, a nos tornarmos animais anti sociais, e a só sabermos sorrir para máquinas e equipamentos eletrónicos, onde o vício da tecnologia, a magia das cores, dos movimentos, hipnotiza o nosso cérebro.

E eventuais tertúlias que poderiamos promover, entre seres humanos, em qualquer fórum, são substituídas por monitores, por teclados e a voz, é perdida, em mensagens verdes de plataformas onde, inicialmente acreditamos na sua privacidade, mas onde não assinamos qualquer RGPD, e onde nos dias que correm a total transparência de informação é prato do dia, quer por redes sociais, que premeiam um modo superficialmente cor de rosa, e que naturalmente vicia pelo lado bom que tem.

E, mesmo que o tenhamos feito, não controlamos a capacidade de transparência que poderá acontecer, pela má fé praticada por aqueles que eventualmente a poderão controlar, porque o word of mouth é, de facto, e nos tempos que corre a maior ferramenta de marketing e de divulgação.

Ora passamos a peões de distribuição de informação, ora somos meros instrumentos de escrita em computadores, em busca de uma hipotética felicidade, ou bons momentos de prazer e relaxe que, apesar de momentâneos, serão aqueles que sustentam a leveza do ser.

Tempos de pandemia, onde olhares se cruzam, e pela expressão facial estar parcialmente cortada, assustam, pela falta de confiança, pelo receio de contágio, pelo desconhecido, pelo medo de morte. E aqui sim, entendo o que de facto será a zona de conforto. Mas, não aceito.

No que ainda hoje é comentado nas redes sociais, sobre o acompanhamento físico, o distanciamento social, o que vemos são regras incoerentes, políticas de conteção passadas, sem qualquer critério e coerência, que procuram promover economias que se apelidam de humanas mas que, ao mesmo tempo e legitimamente, não podem deixar a máquina abrandar. Contudo, e por isso mesmo, pelos tempos de instabilidade que vivemos, a incoerência pode por vezes voltar a surgir.

No que tive oportunidade de viver, movimentos de migração opostos  entre países, seres humanos a serem transacionados, como uma moeda, onde regras de higiene são a arma de promoção de modernidade de cada um dos países. Contudo, a pesada estrutura de investimento que pode implicar, aliada à típica luxúria e ociosidade do ser humano, travam apoios inicialmente garantidos. 

E nós seres adultos que devemos ser capazes de ter um controlo emocional, aqui e nestes tempos que correm, vemos que efectivamente esse controlo emocional é por vezes impossível. A tal da inteligência emocional que nos força a ver o lado positivo da vida, por vezes numa mudança de hábitos e comportamentos tão drástica, ensina eventual re balanceamento. 

Do que é realmente importante. Para cada um de nós. Vida.