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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Qui | 05.07.18

Tatuagens

Delcy Reis

Tatuagens, qual o seu significado, nos dias que correm?

Recordo-me do preconceito que existia, na altura em que me dei a conhecer a este mundo.

Normalmente, e naturalmente associadas a todas as pessoas que, gostavam de ter uma pele diferente da que têm.

E, por quererem ter essa pele diferente, não podiam ser iguais aos demais que não as tinham.

E, por isso mesmo catalogados e rotulados de pessoas diferentes. Onde o diferente, é sempre visto como mau.

E, por isso mesmo comentados, por terem uma pele diferente, apesar de todas as outras valências que, naquela comunidade poderiam ter.

E eram comentados, e julgados moralmente, pelas mesmas pessoas que conviviam. Comentados de forma menos positiva, sem perceberem a pessoa. Sem perceberem o profissional.

Mas perdiam, só por quererem vestir uma pele diferente. Quase como se de um casaco se tratasse.

Como se atrevem a vestir uma pele diferente, de forma definitiva? Questão subjacente a pensamentos mais conservadores, pensamentos estes de pessoas que assumem compromissos, também eles eternos, onde são obrigados a vestir outras peles que não pintadas.

Hoje, contemplo quem tem a diferença é quem não veste essa pele, que de diferente cada vez vai tendo menos.

Vejo a tatuagem como uma simbologia muito própria, muito minha.

Vejo a tatuagem, acima de tudo, como um marco muito importante na minha vida.

Vejo na tatuagem, pequenos símbolos de esperança.

Vejo na tatuagem, uma identidade, uma personalidade, uma história.

Vejo na tatuagem, amor, e segurança.

Não concordo, com rótulos pré concebidos àcerca dos que tatuam e daqueles que são tatuados. Porque não é a tinta que está na pele que os define. A tinta que pinta a pele, pinta-a da cor que precisam de ter, de uma arte tão válida como tantas outras, que estará com eles para toda a sua vida.

Vejo na tatuagem, o grito que não podem dar, a razão do coração.