Incompanhia

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Spoil.

Maio 01, 2017

Delcy Reis

"Spoil: To impair or destroy the value or quality of" palavra que tem vindo a fazer parte da minha vida de forma recorrente. é bom gerir expectativas, de forma a que o balanço seja equilibrado. Não viver no conhecido, viver na fantasia, pode ser uma má gestão de expectativas com base na omissão de informação. A expectativa, juntamente com a reta temporal são variáveis que combinam para o nosso equilíbrio. E quando, não as conseguimos controlar, ou elas não avançam ao nosso ritmo, portas se batem e fecham, suspiros se dão, caminhar desenfreadamente sem destino. Tinha em mim assente que, a vida era toda ela programável, e que o controlo existia sobre todas as matérias, que eu queria que fizessem arte da minha vida. Podia gerir todas as variáveis. Mas não, se bem que agora sim, agora consigo deter esse monopólio. Estive quase um ano sem ver televisão, e sem me aperceber da evolução dos nossos dias, e das baleias azuis, baleias rosas, acidentes, colisões, tempestades que passaram neste ano pelo globo. Sim, fui uma info excluida. Talvez para não ser tão recorrente o spoil :) Talvez, para reflexão. Talvez para refugio de tudo e de todos. Acreditava que o acontecer natural, que a evolução natural de qualquer relação humana, se moldava pela sua não previsibilidade, mas que a evolução existia. Hoje pergunto-me se, por vezes não somos forçados a imprimir a mudança, a rutura. Pessoas diferentes de meios diferentes, têm ritmos diferentes, expectativas diferentes, com prazos de validade distintos. A previsibilidade da vida, traz-nos conforto, mas também retira o desafio da mesma. O conforto individual, choca com a partilha ,a estabilidade é boa, mas a monotonia também enfada. Qual a fórmula? Qual o caminho? A pimenta tem que existir, e para existir, o ser humano tem que ser colocado à prova: primeiro por ele mesmo. Sempre por ele mesmo, provar-se e corroborar perante si próprio que é capaz, e nunca ser uma desilusão, primeiro para si. Se puder contar com a força e motivação de alguém melhor, talvez seja mais completo. Desaprendi isso tudo, desaprendi essa componente dual. Aprendo todos os dias a acreditar em mim, e depois em quem me rodear. O meu instinto sempre em primeiro lugar, havendo no meio, um espaço para a compreensão. É como em tudo, equilibrar, o presente com o passado, o delicado com o cruo, a simbiose com o antagonismo. É como em tudo, influenciando-nos pelos que nos rodeiam, e que nos constroem, como se fossem uma parte do nosso corpo, que vamos conhecendo e acariciando cada dia. E que, por vezes nos esquecemos e não sabemos manter. Nunca desistir daquilo que queremos fazer no momento. Conhecer uma senhora na Aldeia do Mato, que na sombra da sua casa, contempla. Sem qualquer expectativa, só contempla, e qualquer acréscimo que vier, em principio será positivo. Sempre que vejo alguém, numa aldeia porta fora a contemplar, pergunto-me o que pensam. Perguntei. E qual a serenidade na resposta, e qual a senioridade no olhar. Traços de vida, olhos verdes, pele morena, repugnar da tecnologia. Tal como em são Tomé, tirar uma fotografia para quê? A fotografia, procura absorver o momento, e não ser um postal. Mas, a memória, é tão melhor que a fotografia. Não dá para partilhar nas redes sociais, e absorve todas as sensações. O vento, os sons e cheiros. Cheiro a rio, cheiro a primavera, cheiro a rosa seca. Boa noite.

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