Incompanhia

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Red light District

Fevereiro 02, 2018

Delcy Reis

Pelo título muitos poderão ter curiosidade em saber do que hoje me encontro a refletir.

O distrito vermelho. Recordo-me do impacto de, há vinte anos ter conhecido a realidade holandesa. Admiro a coragem e mente dos que me levaram a conhecer aquele mundo que, hoje já faz parte da minha identidade.

Interessante, e ao mesmo tempo contraditório que, este pequeno bairro de Amesterdão, que cheira a sensualidade, prazer, pecado ( para os mais conservadores); sem qualquer preconceito, se tenha tornado uma atracção turística, principalmente para o género masculino.

Interessante pela sua dualidade que atrai: homens casados, que procuram rir, divertir e esquecer a teia que os enredou, homens descomprimetidos da vida, que flutuam no seu caminho, tropeçando numa rua vermelha, por inconsciência, por casualidade, porque sim.

 

Contraditório, por corroer os princípios, os valores que os automatizam no seu padrão "normal" de vida. Que conflito.

 

A apreciação deste negócio revela a necessidade de liberdade do ser, a necessidade de irracionalidade adulta, a despreocupação do dia de amanhã, da gargalhada, do picante que a vida por vezes tem que ter.

 

Entendo que a brutalidade e falta de delicadeza na apreciação da sensualidade que cada uma daquelas mulheres procura transmitir, provoque a necessidade de controlo, principalmente controlo de exposição, a comentários talvez dolorosos, para quem está do outro lado da vitrine e atitudes de vandalismo que seriam inaceitáveis noutro qualquer negócio de atracção turística. Então, num que envolve cidadãos de uma sociedade, paramos para pensar.

Como profissão, é algo que não consigo atingir, porque o meu corpo é a minha alma, e a minha alma não se expõe numa vitrine, a toda e qualquer vulgar pessoa que se cruze na minha vida.

Curiosa a sensação que transmite, no vulgar género masculino, de excitação e necessidade de crítica, critica talvez por inveja, critica como desabafo de frustração, ou apenas divertimento.

 

Na altura não compreendia, da forma que hoje compreendo, a excentricidade que a aquela cidade representava e representa: torna público e livre todo o desejo que o ser humano possa ter, sem qualquer preconceito, expondo de forma crua, clara e simples. Torna visível, tudo o que por vezes pensamos que é invisível, nos nossos dias.

 

E são aqueles, os que passam no distrito vermelho, os que têm vidas equilibradas, e são aqueles que andam de bicicleta na rua, chovendo, com sol. E não é por isso que são menos profissionais. Também não é por isso que não respeitamos as ciclo vias e nos tentamos a por um pé para que tropece e caia, não é por isso que nos intitulamos de mais esforçados e civilizados, porque andamos de carro, vestimos um fato e desequilibramos tudo o resto

 

Nao entendo a contradição, da cidade que um dia foi de exposição da excentricidade humana, esteja agora a procurar controla-lá.

 

Estaremos nós agora a controlar o descontrolo que provocamos?

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