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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Seg | 05.11.18

Rebeldia vs Liberdade

Delcy Reis

Pelas flutuações diversas que a vida me tem vindo a trazer concluo que sim, tenho uma alma rebelde que procura a diversidade e a liberdade. 

Sei que são duas palavras que andam de mãos dadas e que se relacionam de forma bastante forte, a liberdade, pelos valores e princípios que regem grande parte dos estados nação que pertencem ao continente europeu, e diversidade que, no meu entender nos dias de hoje, cada vez menos tem vindo a ocupar o seu lugar de forma positiva e bem aceite.

Sim, pertenço a uma geração do globo e não do país, pertenço a uma geração da promoção da globalização, e as alterações que sinto que vêem a caminho, são-me estranhas. Vejo a europa a desfragmentar-se em países, que procuram não perder a sua cultura, a favor de uma cultura europeia, vejo que o patriotismo que poderia por ventura nascer em mim não se verifica, muito pelo contrário, a vontade de escapar a esta volatilidade de vida, apenas porque está em voga ser feliz, sem qualquer conceito de responsabilidade subjacente é algo com o que não me identifico.

Defino-me como rebelde, porque gosto de aprender, defino-me como rebelde porque gosto de sentir que contribuo de alguma forma para algo, alguém.

Defino-me como rebelde  porque gosto de sentir a liberdade de poder fazer aquilo que decido, quanto mais não seja na minha vida pessoal.

Defino liberdade como isso mesmo, suportada em pilares de segurança, bem-estar, e autonomia.

Mas, explorando de forma mais aprofundada o conceito, todos nós vivemos num conceito de liberdade criado pelo nosso expectro de experiência e vida, nada mais. Todos nós, ao procurarmos ser livres, esbarramos no espaço de outra pessoa, pelo transbordar de liberdade que temos, e pela vontade intensa que temos de abraçar essa novidade na nossa vida, sendo ela uma pessoa, sendo ela um projecto que nos alicie.

As redes sociais e as plataformas sociais, aliciam a esta liberdade, partilha e exposição, que por vezes, no meu entender são extrapoladas de forma excessiva, onde a opinião de todos, mesmo aqueles que não conhecemos, não percebendo bem porquê, parece que acaba por ser importante; talvez por uma questão de vício associado à plataforma em si, talvez por uma questão de não solidão, ou depressão. Talvez pelo químico que é libertado no nosso organismo de cada vez que vemos que somos importantes, para aquela comunidade, que nos dá um gosto de forma tão superficial, sem sequer nos conhecer. E não isso não é de todo conhecer aquela pessoa, e a forma como ela se define na sua vida.

Temos a liberdade de adequar as nossa convicções aos tempos atuais, temos sempre a oportunidade de mudar, o espírito e  a forma como estamos na vida. Essa liberdade existe, podendo a amargura ser a de nos sentirmos como " um peixe fora de água", porque não foram estes os princípios basilares com os quais nos trouxeram e colocaram no mundo, aquando da passagem para a nossa idade adulta. O guidance que nos foi transmitido não foi esse, e para uma menina portuguesa, muito menos ainda.

E, por todos estes meios que dispomos, criamos uma imagem de nós próprios que por vezes nem sequer nos apercebemos, uma imagem de rebeldia, de opinião forte e vinculada, que poderá não ser a mais conveniente, para a bolha em que nos encontramos enquadrados naquele momento.

Poderá não ser a mais conveniente, mas não será de todo ofensiva, pelo que de legítima, e de disrupta, trará eventualmente algo de novo para o mundo que a rodeia.

Mas, por aquilo que julgamos controlar e não controlámos, revoltamo-nos na vida, e não querendo que pessoas que de forma tão positiva e boa contribuiram para o nosso bem-estar desapareçam, acabamos por afastá-las, com os desabafos pesados que temos, com os desgostos de vida que vamos também tendo.

A velocidade a que a vida muda, nos dias de hoje, e a velocidade à qual nos temos que adpatar a essa mudança, por via das tecnologias, leva-nos a esquecer a faceta humana que desempenhamos em todas as  dimensões da nossa vida,  onde a  confiança e a base da confiança de uma relação deixam de existir, por via de posts positivos em redes sociais, com fotografias sorridentes, onde o contacto honesto, visual, não existe, porque ou se encara como não sendo necessário, ou ao ser demasiadamente libertador, poderá ser visto também como discriminatório.

Somos todos livres de ter uma opinião, desde que assumamos que a mesma poderá ser posteriormente debatida e ajustada, contudo a contribuição da nossa opinião, apenas ajudará a imprimir uma maior velocidade à mudança e evolução.

Entendo que, nos dias de hoje, a liberdade  global que existe possa trazer algum desequilibrio ao nacionalismo de cada um de nós assim como ao nosso individualismo, sendo cada vez mais difícil conseguirmos percepcionar onde nos podemos encaixar, no que a layers da sociedade diz respeito.

E vocês, conhecem a vossa liberdade?