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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Qua | 11.07.18

Quando um estranho nos pergunta se está tudo bem

Delcy Reis

Este texto, surge, do comentário que recebi, de alguém que gosta de acompanhar o que escrevo.

Criei esta página com o intuito de partilhar, um dos gostos que tenho na vida, que é divagar sobre temas, eventos, circunstãncias que ocorrem na vida de qualquer um, e que merecem ser partilhados.

Associo, a este comentário, um comentário idêntico que tive na rua.

Tinha acabado de ler um livro que me acompanha de um escritor que aprecio, chamado Miguel Esteves Cardoso.

Naquele dia em específico sentia-me com força, talvez por trazer comigo uma cor intensa e que, questões clubisticas à parte, me reforça. O vermelho, pelo quente, pelo intenso que associo.

Sei que estava radiante, modéstia à parte e isso transmitiu-me toda a confiança, para o novo ponto no caminho que estava a traçar.

Enquanto caminhava, para o carro, para deixar o livro de companhia, fui abordada por Roberto.

Roberto, parecia ser brasileiro, quer de aparência, quer posteriormente de sotaque.

Roberto, também me perguntou, se estava tudo bem. A resposta imediata que tive, no momento foi, " até agora sim". 

E, ofenças à parte, mais honesta não poderia ser, porque efectivamente, até àquele preciso momento, referindo-me àquele dia, as coisas efectivamente estavam a correr de acordo com o planeado.

insistiu, e perguntou o livro que estava a ler, se tinha a ver com consciência. 

Confesso que, sorri e lhe expliquei que não, que não tinha, sendo que a resposta que obtive já foi em Inglês.

Rapaz moreno, com ar de praia, que me explicou que trabalhava por ali, que me tinha visto e que, se fosse recorrente a minha passagem por aquelas bandas, ele trabalhava naquele café. 

Sorri, disse que tinha um compromisso e segui viagem.

Sobre o comentário que recebi, pelo não controlo total sobre a minha vida, sentindo que ela por vezes me prega partidas duras de suportar e encarar, entendo que possa transmitir muita coisa o texto que escrevi.

Posso entender o comentário de várias formas, sendo que uma delas é feliz e outra infeliz, mas tudo dependerá de quem se encontra do outro lado assim como na crença que ultimamente tenho tido na humanidade.

De qualquer das formas, humanidade à parte, é sempre uma oportunidade e forma de abordar alguém sobre quem temos curiosidade de saber o que se passa. O ponto importante, nesta curiosidade, é certamente se existe objectivo ou é meramente uma curiosidade, daquelas crueis que, inevitavelmente não nos ajudam a nós, mas sim ao ego da outra pessoa, pela tal comparação que é feita.

Estou numa fase em que, aquelas pessoas que efectivamente têm curiosidade em saber se está tudo bem, efectivamente irão falar comigo e ter oportunidade de estar comigo, bastante tempo e bastantes horas.

Aquelas que recentemente me magoaram,  porque as vivi de forma muito intensa, essas vão ter que esperar que esteja preparada para poder voltar a lidar novamente com elas.

Porque, nas relações, tudo tem que ver com ego, insegurança, espaço e se queremos dançar com quem naquele momento nos aproximamos.

E mesmo querendo saber se está tudo bem, acho que nunca, genuinamente está tudo bem. Analisando e escrutinando, há sempre alguma imperfeição naquele momento.

Mediante as prioridades e aquilo que valorizamos na nossa vida, em determinado momento, podemos achar que está ou não está, apesar de darmos a resposta fácil do, está tudo bem obrigada, e contigo?

E estas, conversas superficiais, sem qualquer objectivo, emoção boa por tras, neste momento são-me completamente dispensáveis.

Em tempos não o foram, mas neste momento são. Porque todos erramos, e todos não nos conseguimos controlar emocionalmente, mas devemos reconhecer esse comportamento, para que a emoção boa por trás exista.

Portanto, a ti que me perguntas se está tudo bem, por favor pensa. Se genuinamente estás preocupado, sabes como me encontrar para me reconfortar e ajudar.

Se não for para isso, não perguntes, porque a resposta automática, e superficial será sempre, sim, está tudo bem, e consigo?

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