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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Seg | 16.07.18

Quando o amor tem que ser bom.

Delcy Reis

Não acreditava em qualquer dimensão espitirual, que me pudesse reconfortar.

Mas também digo que há coincidências tão fortes, que dificilmente são ignoradas.

Adoro o mar, pelo seu infinito, pela tranquilidade que me transmite, e pelo cheiro que, em determinadas zonas da linha de Lisboa, me recorda os meus tempos de infância.

Descansei o corpo, restabelecido e com sentimento de capacidade, com uma ótima banda sonora de fundo.

Crianças a brincarem perto, com algas e nos tradicionais e já conhecidos castelos de Areia.

A avó mimi, entretida, com a rebeldia dos mesmos, mas posteriormente e, mediante olhares mais agressivos de outras pessoas que se encontravam na praia, acaba por reprimir os netos dizendo que, achava piada, mas que não estavam a fazer as coisas bem.

Whatever that message means, deve ser uma confusão de critério, pelo menos para mim, que ao ter vivências que me obrigam a ter que ver o bom em episódios que de felizes não têm nada, geram uma baralhação de seleção de pessoas/ meios, que prefiro nem refletir muito.

E é também aqui que reforço o que hoje ouvi, e que me fez rir, que o amor tem que ser bom.

De que forma ele apareça, tem sempre que ser visto como algo de bom.

Sentei-me na esplanda, uma vez mais a contemplar quem fica com todos os meus segredos, e pedi um café e uma água das pedras. Aquela combinação que, emocional ou genéticamente me veio parar às mãos e à vida.

Tive o hábito, costume respeito de perguntar ao empregado se tinha mesa disponível, prática a qual vos confesso que me tinha desabituado, pela intensidade da vida, falta de tempo e gestão do mesmo, da forma mesmo mais eficiente possível. 

E, bom com esta gestão de tempo de forma tão eficiente, perdem-se muitas coisas. E desta vez, ganhei este detalhe.

O empregado pergunta-me o que quero beber.

Respondo: "Um café e uma água das pedras"

Erraram. E, normalmente ao erro, procuro responder sempre com um sorriso. Faço esse esforço. Mal recebido o esforço, pensei eu. Mas posteriormente, entendi que não tinha sido a minha atitude que tinha agravado a falta de cuidado, ao satisfazer o pedido e atirar a garrafa de água para a mesa. 

Perguntei: " Quanto é?"

Resposta ( muito mal encarada e com um desapego total): " Depois paga lá dentro".

Continuei a falar com ele, naquela relação que já é só nossa e que aos dois faz tão bem, porque eu liberto, ele leva na onda para bem longe, para o infinito e essa onda, traz vento, maresia e uns salpicos salgados.

Estando mais sensível ao trato do dono do bar, poderia simplesmente retribuir a mesma simpatia pelo não pagamento pelo serviço prestado. 

Também já aprendi que, essa frequência, a mim nada me faz bem e não estando nela, tanto melhor.

Levantei-me para o pagamento na caixa e, lá estava o dono, novamente bastante mal encarado.

Referi, a intenção de pagamento e, enquanto o efetuava o mesmo dizia: " Sr. João, não se esqueça que o amor é bom". Ao que respondi, em tom de graça " tem que ser bom" e ele refere, não tem que ser, na sua génese é, senão é porque não é de amor que estamos a falar.

E fez-me lembrar uma recente leitura, onde esta poalavra era difamada para todo o tipo de relações, sejam pessoais, profissionais, onde a partilha deverá existir.

Não concordo, de todo. Sou do mundo, quando o mundo é também meu.

Danço a dança de quem quer dançar comigo, e reconheço que não tenho tempo e disponibilidade para dançar, com a mesma intensidade, a mesma vontade, a mesma paixão, com o mundo.

Apenas com uma pequena parte do globo, que me dê algo em troca. Paz, por um lado, e no outro, aprendizagem, crescimento intelectual, bem estar.

Estamos a ir em busca.

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