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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Procurar o mate aos 36

21.09.21 | Delcy Reis

Bem, e que desafio tem sido.

Sim, é verdade separei-me com 30 anos de idade, porque na altura, com menos rugas, zero cabelos brancos e muita motivação, acreditava que podia ter um futuro diferente.

Separei-me aos trinta anos, porque sonhava com a vida que penso que todas querem/ aspiram ter com 30 anos, paz e se possível um rebento.

Aprendi com esta separação emocional de outra pessoa, a ser extremamente egoísta e a conseguir identificar plenamente o que é que, na envolvente me pode fazer feliz. E a partir daí, entrei numa espiral completamente viciante, a de conhecer novas pessoas, a de conhecer novos sítios.

E  reconheço que é apenas pela novidade, e pelo desapego de esses novos sítios, não para partilhar o meu caminho com alguém, e não digo porque gosto que assim seja, porque efectivamente nunca fui boa na minha storytelling mas, que deve ser engraçado deve.

E que ciclo vicioso acaba por ser essa prática. 

Conhecer novos sítios, conhecer novas pessoas, olhar para cantos que anteriormente não identificava e retirar de lá uma qualquer mensagem.

E por me ter separado é porque sou conflituosa. Não. 

E por me ter separado, talvez o conflito tenha existido, porque as frequências, vontades e prioridades eram diferentes.

E agora, todos não temos paciência, e todos ao primeiro impacto, só procuramos ver o defeito do outro lado. 

Uns buscam companhia, apesar de não assumirem essa busca.

Outros querem acreditar que as coisas vêm ter com eles, e que não necessitam de procurar. Eu sou muito pouco crente em destinos, acredito mais em caminhos que se cruzam, por gostos idênticos, por formas identicas de estar na vida.

E um conceito e objetivo de vida comum, de partilha, cada vez menos existente.

Uma posição sempre e cada vez mais individualista.

São assim os dias de hoje, cada um por si.

E procurando conhecer alguém, procurando fazer o caminho com alguém, por gerações cruzo-me com seres também eles perdidos: ou com objetivos de carteira de pretendentes, ou com objetivos apenas de pura diversão. 
 Há um denominador comum. Não querer ter mais problemas. 
E verborreiam temas que possam ser banalidades que, talvez para mim não o sejam. 
E, depois, arrependem-se das atitudes que tem. 
 Sim. Fui criticada também pelo nome do blogue.

Mas, com o passar do tempo. Cada vez mais me orgulho. 
Da criatividade e realidade do mesmo.