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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Phantom Thread

17.01.21 | Delcy Reis

Filme de 2017, que me fez recordar o livro o perfume de Patrcik Suskind. 

Mr. Reynolds Woodcock, famoso alfaiate britânico, com uma vida pessoal bastante atribulada, onde todo o seu gosto e concentração se focavam na criação de obras de arte, vestidos de gala, e vestidos de noiva, dependendo da ocasião.

Com um passado de receios no que a um matrimónio diria respeito, refugia-se no trabalho, como motivação e força de vida.

Sempre acompanhado por sua irmã Cyril, sempre suportado na mesma formavam uma equipa de trabalho incrível que, ele próprio não estava disposto a mudar. Pelo hábito, pelo conforto.

Num dos fins de semana de escapatória para a sua casa de campo, conhece Alma, uma empregada de mesa de uma casa de chá. 

Encontro de sorrisos, por naturalidade, talvez de ambos, mas mais de Alma.

O único pedido de Alma foi, para o sentimento de alguém que julgava que a procurava há algum tempo, que tivesse cuidado.

Todo um desenrolar de relação, onde o desconforto, gera a insegurança, e na máquina e força do hábito, o sentir a perda de controlo, a exposição a novos mundos, a novos estimulos, traz vida àquele que rotineiramente se encontrava habituado ao mesmo número de clientes, aos mesmos vestidos a realizar.

E essa abertura, a uma nova realidade despertou num alfaiate, um sentimento que descnhecia. Ou que talvez tivesse receio de sentir. Pela exposição em restaurantes de alta sociedade, pela vontade individual de cada um nem sempre estar na mesma página.

O risco de perder alguém que sabia que precisava de ter na vida dele, levou a ponderar as suas próprias rotinas, as suas individuais prioridades.

Jogos de empatia, jogos de busca de atenção, tudo em busca de sentimento de utilidade, de fazer parte e acima de tudo de felicidade e poder cuidar e ter alguém para si num momento específico, sem outros. Só dois.

Banda sonora profunda, bastante suportada numa força de cordas incrível.

Representações únicas, quer por empatia de género, quer por fragilidade de vida, onde as relações prevalecem. E devem sempre prevalecer.