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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Os nossos pecados mortais

16.04.18 | Delcy Reis

Queremos ser genuínos, mas não somos.

Queremos fingir ser perfeitos, mas não somos.

A capacidade de controlarmos as nossas emoções, sentimentos, e principalmente aqueles que não nos trazem revolta, e a tal da menor felicidade, por vezes é difícil, quando nos expomos ao mundo. 

E que, para vingarmos temos que continuamente olhar em frente, acreditar, expor, digerir, engolir, vomitar, e avançamos para a próxima refeição.

Acredito que podemos ter um impacto, tamanho ou não, nos que nos rodeiam.

Acredito que, por maior falácia que seja, temos que forçar o controlo, quando não queremos que nos levem.

E, acima de tudo não devemos perder um rumo, pelos pequenos objectivos que nos vamos propondo e exigindo, para voltarmos àqueles grandiosos e que a mim me preenchem.

O orgulho, é certamente um dos ditos pecados, que mais me consola. É aquele ao qual mais me agarro, não de uma forma desmesurada, apenas para que, na solidão, me sinta bem.

 

Reconheço que, na sociedade atual, onde o tema da privacidade é também  tão atual, a exposição a que muitos de nós nos sujeitamos, não pensada, acaba por alimentar a competição, por bens que os outros têm, por aparências que os outros têm, e esquecemo-nos de nós. Daquilo que queremos, no tempo que nos é legitimo e da forma que entendemos. 

São negligenciados, os sentimentos puros e simples, porque simplesmente não se enquadram, ou não têm qualquer objectivo em concreto.

Passemos aos sete magníficos, que já são seis, pelo consolo a que me agarrei antes.

A gula, vejo como uma compensação emocional, um balanço de um prazer de vida, individual e que acarreta consequências menos saudáveis.

A avareza, entendo também como um refúgio, uma compensação pelo esforço capitalista e material, de uma vida melhor, onde nos é incutido que a mesma só o pode ser, tendo mais, em quantidade. 

Reconheco aqui, falta de controlo em geral, pela competição que é exigida, mediante o extrato social onde nos queremos encaixar, para nos sentirmos melhor. 

Deixamos de discutir o conteúdo, para passarmos a olhar para a forma, para o património.

 A luxúria, que entendo por paixão. Não a vejo como um pecado, antes como um sonho e uma força. Algo que me traz determinação em acreditar no que vejo, e me move para uma atitude. Talvez desmesurada, pouco ponderada, mas firme e segura. Tendencialmente, uma força que se desgasta, por não ser correspondida, por não retribuir com a mesma intensidade. 

Ira, pela falta de controlo, numa sociedade que evolui a um passo humanamente assustador, pela quantidade de informação a que nos expomos e que temos que ser expostos e dominar. Ira, pela falta de compreensão do receptor da mensagem, e da falta de tempo para a transmitir da forma pretendida, pela clareza de comunicação, que por vezes é insensível na forma como é transmitida.

Inveja, que tão mal faz, pela competição, pela cobiça pela necessidade que temos de nos motivar, tendo sempre por base o insucesso de alguém, e não tão somente o nosso sucesso.

Preguiçosos, pela falta de força em querer fazer mudar, em nos deixarmos enredar pelo que nos rodeiam, e não sermos por vezes capazes de cortar, e desviar o rumo, de acordo com os nossos ideais.

Representamos todos os sete, sem nos apercebermos, sem qualquer má intenção.

Serão pecados, ou motivações?

Fica a reflexão. 

 

 

 

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