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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

O que procuro

16.01.21 | Delcy Reis

O que todos procuramos. Felicidade. E esta poderá ser induzida por consumismo, ou então até por objetivos que definimos, para nós. Por experiências a viver, relações estabelecidas, ou apenas por procurar the perfect spot where the green grass exists.

E, de facto, não existe, todos queremos representar um papel na sociedade, todos queremos e devemos ter um lugar.

Confiamos, acreditamos, voltamos a ficar desiludidos.

E, agravante de medida de confinamento, ainda promove mais a solidão a que já estava habituada antes de toda a pandemia. 

E por vezes chegamos a um ponto, onde o peso do que recordamos talvez seja superior aquilo que nos resta viver. 

Recentemente chegada ao meu país, e na esperança de rever aqueles que não vejo há bastante tempo, a pandemia é o motivo para não nos revermos.

Para os que nunca viveram fora do seu país, e que acreditam que a felicidade está no outro lado, de facto o que vos posso partilhar é que: solidão, agravada pelo facto de não nos enquadrarmos com alguém da nossa cultura é ainda mais desafiante. 

Procurar integrar em jantares de vizinhos, egípcios, espanhóis, franceses, onde muitas vezes, sendo a única portuguesa nos perguntam: o que é que estás aqui a fazer? e a resposta naturalmente, será estou a fazer o mesmo que tu. 
Mas o apontar de um país pequeno como o meu, que tanto gosto. Enquadramento europeu, quando de britânicos temos tão pouco. 

O sentimento de patriotismo pode ser muitas vezes aquilo que nos sustenta, e as saudades do nosso núcleo, do nosso país, por maior lider que possamos ser, existem sempre. 

Tive a oportunidade, de conhecer diferentes realidades de vida, diferentes pessoas cada uma delas perdida, sem rumo, desmotivadas, por quedas profissionais, por quedas pessoais, e cada uma delas com os seus refúgios que não condeno. Compreendo.

Cada uma com as suas necessidades para promover a tal da auto confiança. 

Ou com a necessidade de se sentirem mais novos, ou com a necessidade de mostrarem aquilo que têm. 

E, podemos falar de sermos uma cultura claramente católica, onde despromovemos a cultura, mas achamos que o peso do hábito de ir a uma igreja certamente é mais benéfico. 

Defendemos acreditar em Deus, quando, todos nós no dia a dia não praticamos os valores que eventualmente lá podemos ouvir. 

Passamos opiniões e conselhos de humildade, mas na verdade andamos sempre numa comparação de extratos sociais, de bens, com sorrisos, que talvez e genuinamente não são felicidade, apenas são a necessidade que temos de mostrar aquilo que temos.

Amigos, passageiros. Amigos que perduram. 

Projetos falhados, promessas escritas em vão. 

Nós que defendemos uma humanidade, onde todos nos devemos ajudar, na realidade, o que praticamos é um egoísmo atroz, e uma vontade incrível de vencer. E por vezes, infelizmente a todo o custo. 

E, dependendo de quem, sim por vezes magoa. Dependendo ao que nos dispomos a acreditar e em quem confiamos. 

Acredito que todos vocês ficaram desiludidos, com alguém em quem apostaram e acreditaram e projetaram toda uma vida. E por quem tomaram decisões que, a partir de uma determinada fase da nossa vida, podem custar bastante caro. 

A todos os níveis.
Boa sorte com quem se cruzam e a quem se entregam e da forma como o fazem.
O que vemos no início nem sempre é. 
Reviver e sempre bom. Mas apenas e com aqueles que, foram impecáveis.

A seu tempo. Tempo que cada vez mais valor tem. 

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