Incompanhia

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Mucumbli

Março 28, 2017

Delcy Reis

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Sai a descoberta. Dia mais exigente, por ser apenas um grupo de não Locais, e um paraíso virgem a nossa frente. Mucumbli, esse sítio que achamos nao existir e sem fazermos um grande esforco para o encontrar ele deu nos as boas vindas. Começamos o trajecto por Gamboa, pequena vila, onde numa estrada sem saída, o que transparecíamos para um conjunto de pessoas que esperava, numa paragem de autocarro inóspita, eram as palavras 'Doce, doce' e 'boleia'. Pedidos tão simples, mas que lhes podem trazer tanto mal. Reporto ao dia de hoje, a mensagem que bebi e interiorizei: nao e assim que ajudamos São Tomé. Ajudar São Tomé, e ajudar um povo a perceber que e capaz, capaz de organizar e de dar valor a sua terra, nao os fazendo sentir menores perante o mundo. Tudo o que tem que colher agora, terá que o ser apenas pelo seu esforço, e nao pelo simples pedir de ajuda, pedir de bens materiais, pedir de vícios a um exterior, que lhes e desconhecido, e parece perfeito. Voltei ao presente, e a estrada, sinuosa e cheia de crateras, pulvilhada, no inicio de cada povoação, com porcos, cabras, cães e crianças. Focus, sorrir, acenar acreditar no bem. Não podia ser de outra maneira que passava por cada vila, se queria estar em paz. Queria praia, queria mar, queria liberdade. Primeiro avistar, um barco abandonado, uma praia paradisíaca, inexplorada, encantadora, de governadores ouriços do mar, que nao me deixaram pousar o pé em suas terras. O norte da ilha e banhado por planícies de vegetação baixa e seca, onde as queimadas são o equilíbrio do ecossistema. Paramos nos tamarindos, onde havia mais gente, disse o pescador de polvo. Liberdade total, e o propósito existente de estarem mais pessoas, pelas mesas de piquenique, mas apenas uma árvore centenária a pedir que nao a cortem, e que a amem, da mesma forma que ela nos ama a nos. So o mar, e o vento, e algumas canoas, bem la no fundo, com um vulto de quem procura algo no mar. Para a frente, so mais um pouco, descobrir. A porta do mundo do cacau biológico, pouco antes de chegar a Neves. Ali, em tempos muito comercio de cacau, exportações para um mundo, por um porão que, em tempos teve a sua estrutura elevada e com significado. Hoje, o complexo existe, mas falta a vontade, e a orientação. Crianças no meio da mata tropical, que nao percebo de onde veem, umas com a farda da escola, mas sempre com um sorriso, sempre com um aceno de mão. A janela aberta, o ar quente e húmido e o cheiro a terra, o braço fora da janela, cabelo flutuante. Mucumbli, obrigada. Uma bandeja de serenidade: contemplar uma orla costeira, plantada de coqueiros e bananeiras, onde no mar, ao invés de canoas, barcos a vela, onde a vela, essa vela, era um quadrado branco, no meio do verde azul. Que quadro esplendido e completo, porque este quadro, tem vento, som de papa figo e paladar. Paladar de um polvo com banana pão, paladar de vida e equilíbrio, Paladar de "leve leve". Em Mucumbli ficou um pouco de mim, e veio um outro tanto, ainda maior. O dia terminou com sabor a cafe: Pico do Mocambo e Gudi, com sabor a gravaninha, uma pitada de coco, gengibre e Maracujá. Descobri que a Granja, Sintra, Trás os Montes e Estoril tambem ca estão. Nos estivemos ca, e com eles sempre estaremos, pela língua, pelas rocas e tambem pelo doce, terno e caloroso recebimento que sabem dar. Hoje, estou grata. Mergulha e refresca, para o grande sul.

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