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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Sab | 07.07.18

MARO

Delcy Reis

Hoje, tive o privilégio de assitir a um concerto, daqueles concertos que já tinha saudades de ver.

O espaço escolhido foi o capitólio, onde os telemóveis a filmar, não estiveram presentes. Back to the old times, onde os concertos eram o momento e não propriamente a partilha nas redes sociais.

E foi engraçado tentar perceber o porquê e várias são as razões que me ocorrem.

Mas, antes de dispersar, para os motivos que julgo terem levado a que tal concerto não fosse filmado, quero  reforçar a grande voz, desta recente artista portuguesa, com uma personalidade muito própria e forma de estar curiosa. 

Com apenas 23 anos, Mariana Secca coube num capitólio, num concerto privado, íntimo e visivelmente familiar para ela, mas doce e acolhedor, para uma outsider como eu.

Assim como Carolina Deslandes afirmou, conheci Mariana Secca ao acompanhar o seu trabalho enquanto estudante de música fora de Portugal, onde o #Berklee People, me despertou  bastante interesse.

E portanto, todas as manhãs, ouvia a sua música no youtube, que me dava um despertar diferente. Mais doce.

Interesse, quer pelas diferentes vozes e influências que ía buscar, quer pelos covers de música portuguesa que fazia.

Recordo-me da criatividade e conhecimento necessários para poder converter uma melodia, com igual letra de "Zé Cabra" ( artista português popular), numa peça de música que, para mim é muito mais preenchedora e rica.

Continuando o seu trabalho, e já de regresso a Portugal, a jovem Mariana, edita rapidamente um grupo de três volumes, onde as características da sua voz, são novamente enaltecidas, juntamente com a guitarra que também já é muito sua.

Um sorriso, e cabelão gigante, cheia de expressões e vida, com as camisas e pulseiras que também já são a sua imagem de marca.

Principal single, já com filme editado, totalmente português, e preenchedor, quer pela guitarra portuguesa que acompanha, as batidas com influência africana, juntamente com uma delicadeza de piano, e a voz seca e doce de Mariana Secca.

Para os seus três volumes de música, conforme referiu " originalmente volume I, volume II e volume III", convidou uma série de artistas de grande renome português, para a expansão do seu trabalho. E pelas vozes que convidou, como Samuel Úria, Mafalda Veiga, Luísa Sobral, a música ainda mais doce se tornou.

Contudo, e para mim, a dupla com Rui Veloso, quer de guitarras quer de voz marcou-me imenso. A sua interpretação de Cavaleiro Andante, mostra o encaixe perfeito destes dois artistas.

Mas aqui sim, já são gostos muito particulares, onde outras váriaveis também vêm à mistura.

Parabéns Mariana, por ontem, por na minha opinião representares com grande qualidade a próxima geração de artistas portuguesas.

Obrigada também por me teres proporcionado um concerto, na verdadeira e pura concepção da palavra, sem qualquer filme, apenas com os instrumentos, e o público.

Entendo oo início de carreira, e numa tinha experienciado a forma como um início de carreira acontece, no que a um artista diz respeito. Achei motivador e curioso, em termos humanos.

Deixo o desafio com Lúcia Moniz, também uma grande interprete portuguesa e que julgo ir um pouco de encontro ao estilo que apresentas, onde a voz e a guitarra são os solos e mentores de música.