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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

M08

18.08.19 | Delcy Reis

Talvez me vejam fútil e igual a tantos outros que escrevem e têm perfis de Instagram, pelas fotografias que coloco, pelo perfil que procuro endereçar e por aquilo que pretendo transmitir. Caindo no julgamento precipitado de eventualmente me imaginarem numa praia a pedir que me tirem a mim e só a mim uma fotografia. Não sou, até serei eventualmente o oposto, aquele género de rapariga que adora as fotografias de costas e com a cara pouco visível. 

E porquê? Porque existem as tendências das fotografias sérias, a olhar para Deus, como alguém recentemente tagou,

Porque queremos transmitir uma imagem de tranquilidade, paz, e harmonia, quando genuinamente não é assim que a vida nos transporta?

Porque querermos mostrar e forçosamente ambicionar um estado de paz idílico que tão bem conpagina com as quotes que estão tão na moda, e das quais até eu faço mote e uso de inspiração?

Não me julgo fútil nem quotidiana, não me forço a encaixar. E vivo bem com isso, 

Vivo bem com a cada vez menor privacidade a que tenho direito, não vivendo bem com a falta de concordância digamos que espero que, de alguma forma ajude a que os eventos se desencadeiem.

Cada dia e cada corte de rotina geram uma nova eu e talvez por esta mutação constante sinta cada vez mais a necessidade da fotografia, do auto retrato, para ter um barómetro e não me esquecer das raízes.

Sim, alheada de uma realidade e procurando absorver outra completamente distinta. 

Sim a bussola são as fotos. E também as palavras em português. 

M de mudança, oito de infinito e porque foi sempre o meu número, da sorte? 

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