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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Qua | 03.10.18

Lux. K&D.

Delcy Reis

Invadi aquele que foi o meu espaço quando vim de malas e bagagens para Lisboa.

Sim, senti-me fora de tempo, porque acreditei no evento do facebook, pelas horas a que foi promovido.

Sim, senti-me fora do tempo, para me aperceber que seria para mim doloroso, novamente voltar ao mesmo refúgio para o ver passar.

 

Três anos depois, voltei ao Lux. Vinte e três horas e vinte e seis minutos, aquilo que marca no bilhete de entrada. 

Na entrada, atrás de mim, um grupo de jovens, claramente preparados para se divertirem na noite.

O segurança da entrada, com a mesma expressão, apenas faz a pergunta: " Vem sozinha?" Respondo, "Sim".

Tranquila, apesar de consciente de estar desenquadrada. Entro, apenas com as chaves do carro, carteira e telemóvel, e um maço de tabaco. Os bens indispensáveis, para conseguir sobreviver, nos dias de hoje, que por vezes tanto custam a passar.

Pergunto, na entrada a que horas é o concerto, a que me respondem, que deveria começar por volta da uma da manhã.

Subo a grande escadaria, e no cimo, encaro aquela que é uma sala que me encanta: pelas luzes, pelo veludo, pela bola de espelhos, pelo enquadramento de Santa  Apolónia. 

Fico satisfeita, pelo turismo e os cruzeiros não terem destruído um espaço como aquele, que tantas recordações me traz.

Inicialmente rotulado, como o espaço de noite de liberdade, onde o padrão ed imagem não seria sentido, o espaço da diversidade, foi novamente com esse espírito que o abracei.  E ele a mim.

Pedi, a bebida que me refresca, e estando uma noite de Verão, quando ele já se despedia, subi para um dos terraços de Lisboa.

Olhei, e escolhi a mesa para poder olhar para aquele elemento que fielmente me acompanha. A água, no rio e no mar.

Talvez, goste de olhar para o Tejo, pela sua extensão, me lembrar do mar.

Sentei-me, e o mundo voltou a conhecer-me. E eu voltei a acreditar no mundo, deixando de acreditar somente em mim.

Foram duas horas bem passadas, e foram dois músicos que, mesmo estando  mais velhos, mexeram este corpo, também mais velho, de sapatilhas, e colete de ganga.

Passaram, aquela que é a múscia que reflete o melhor estado de vida. Useless, a partir daqui é sempre positivo.

Grande groove, grande drum&bass, mágica dupla austríaca que, pela senioridade e conhecimento, continuam a proporcionar, músicas que abanam o coração.

See you next concert,