Incompanhia

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Lucia e o Sexo

Março 05, 2018

Delcy Reis

Pertenço a uma geração onde o erotismo e a sexualidade sempre foram um tabu, um tema não conversado, onde se procurava manter a intimidade do mesmo. Entendo, mas traz as suas consequências, também.

Não pretendo tornar com este texto algo superficial, ou até banal, porque não o é.

Pretendo é partilhar a forma como o mesmo é abordado no filme que vos trago.

Lucia, é uma mulher aventureira, que parte para uma aventura emocional, com aquele que considera ser o amor da sua vida, um escritor.

Declara-se enamorada pelo mesmo, sem saber se era notada na sua vida. Sem saber até se Lourenço a via, a conhecia.

Inicia uma caminhada, a par, na ânsia da descoberta da pessoa que o acompanha.

Alguém que, por sua parte é também criativo, desafia-se, e muito, e principalmente em busca do constante prazer.

Alguém descomprometido com quem está mas, comprometido com o mundo que o rodeia, fonte de inspiração para os seus contos.

O porto emocional, é uma ilha onde, a filha, a mãe estão garantidamente. Existem, mesmo que perdidas, e reduzidas àquela existência, são-no.

Vários valores são postos em causa, e a forma como se contrabalanceiam no filme é genial.

Várias relações são estabelecidas entre os diversos personagens, e a forma como todos eles se interrelacionam é excepcional.

Desde o meu ponto de vista, aborda uma relação a dois da forma mais pura que possa existir, e simples; onde a pele, o toque e a simples existência equilibra Lúcia e Lourenço.

Aborda, o nudismo como expressão de liberdade, e envolve os corpos, como forma de prazer proporcionada por dois seres.

Uma filha, que nasce de uma noite ao luar, que acaba por ir viver com uma atriz pornográfica, e as influências que esta provoca na sua filha, sobre o desejo carnal.

Na minha opinião, uma forma de demonstrarmos que o poder de controlo é essencial, mas que nem sempre está no nosso domínio.

Na minha opinião, que a comunicação, ou a falta dela, destrói laços, cria barreiras, separa caminhos que, neste caso se voltam a cruzar.

O erotismo, numa das suas plenitudes, talvez não luxuoso, talvez demasiadamente cruo, simples.

Mas belo pela essência do ser humano.

Uma verdadeira obra de arte.

 

 

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