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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia há 5 anos

02.09.21 | Delcy Reis

Inspirada por alguém.

Muitos dos que possam ler o que escrevo, poderão pensar que não tenho emoções. 

Porque aceito o constante inconstante, o constante desassossego na vida.

Não aceito naturalmente, aceito, porque assim tenho que viver.

Porque assim me vejo obrigada a viver. 

E, se me fazem sem emoções, também fui forçada. 

Procurando o tal equilíbrio.

Cinco anos após, tem tudo a ver agora com competição sobre quem decide e quando decide e de que forma decide. E o roalercoaster a que nos podemos expor, é inconfundivel.

O facto de não termos uma âncora, que seja apenas material.

E claro, naturalmente que terei sempre aqueles que passaram pela minha vida de diversas formas, em diferentes contextos que acredito que me recordarão de alguma forma.

Este blog surge como uma forma de me exprimir, sobre o meu caminho. Sobre os meus objetivos e de que forma se desconstruiram.

Sobre o não saber o que é cumplicidade, ter desaprendido o que é companhia, ter aprendido o que é a solidão. O que é o silêncio.

Surge, talvez como a minha companhia, por sabermos que temos sempre vontade de comunicar. De nos exprimirmos nos nossos maiores e melhores desejos. Da tentativa de influenciarmos de alguma forma, e não conseguirmos.

De aceitarmos o que está para tras, e olhar para a frente de uma forma nublada, imprecisa.

E pela geração na qual me enquadro, após cinco anos e dois países onde vivi, a conclusão é a mesma. Seres todos racionais, que não saem da sua rotina, em busca de quem gostam, daquilo que aspiram.

 

Seres racionais, onde a tecnologia, um ecrã acabou por ocupar grande parte do nosso dia, e onde aqueles que seriam mais importantes são colocados para um último plano.

E surge a palavra que tanto me pesou nestes últimos dois anos. Saudade.

Aquela palavra que é tão nossa, e que tanto culturalmente damos valor.

Aquele sentimento de letargia, que todos os dias devemos e procuramos contrariar.

Talvez, amplamente relacionado com conforto que, com três décadas vividas, quase a chegar à quarta, ainda não conheço. 

Sendo de uma zona específica do país, naturalmente que algumas características se apresentam de forma mais forte que outras.

E, talvez por isso, me rotulem como "não normal", como especial, de forma simpática.

Mas, vou acreditando que vou sendo de alguma forma.

A propósito da incompanhia e do grupo core, de família, que de forma conservadora me foi transmitido. Inspirada, também e não só pela minha vida, hoje, vejo um grupo desmembrado, vejo e sinto apenas recordações. 

Nada é estável. E esta proximidade, ainda me mostra de forma crua essa constante evolução de vida.

Tempos estranhos estes, onde as tecnologias substituem qualquer companhia.

Tempos estranhos, onde o prazer da tecnoligia, vinca ainda mais esta incompanhia e o dispositivo como forma de comunicação.

Tempos estranhos em que o normal é comunicar apenas por escrito.

Tempos estranhos em que todas as mudanças que emocionalmente nos desestabilizam, e no meu caso em específico não poder contra balançar esta pandemia de forma positiva, é ainda mais avassalador.

Talvez será mesmo incompanhia por medo. 

Talvez seja incompanhia para não levar nada de forma pessoal. Aceitar, e não procurar.

Talvez seja incompanhia, porque para aqueles todos que estão cansados de correr. Eu também estou, e sempre estive.

Talvez seja incompanhia, porque quando corro, simplesmente desaparece.

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