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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Hotel Mumbai

07.05.20 | Delcy Reis

Estranha sensação, pelo um ano que levo no Meio -Oriente de vida, ver este filme. 

Uma edificação impressionante, hotel Taj Mahal, onde um grupo de adolescentes, em busca desesperadamente de dinheiro por melhores condições de vida para a sua família, e crentes na salvação do seu Deus, sem qualquer auto estima, sem qualquer amor próprio, são levados ao extremo de, estratégicamente numa majestosa cidade da India, planearem um ato terrorista atroz.

E sim, para mim foi estranho, naturalmente porque convivo com esta cultura, onde a crença religiosa se encontra, de facto muito presente, onde o orgulho patrioca, tal como perante as restantes culturas também se encontra presente, mas onde as palavras como Tika, Sika, Shukran, já são hábitos do  meu dia a dia. 

Sensação estranha, até para aqueles que viam comigo, que certamente não sabiam que comentários preferir, dada a diferença de experiência e cultura.

Os hóspedes, um casal britânico Indio, um soldado da Feredação Russa, um casal de turistas do Canadá.

E aqui, as emoções principais que os movem são a inveja, o poder e o dinheiro. E não aquelas que tanto falamos, emoções de realizaçao agradáveis e de elevado controlo.

A forma, como por vezes o preconceito da culto a Shi, apenas pelo uso do turbante, e da barba levarem a conclusões precipitadas e padronizadas em que somos todos iguais, porque pertencemos todos à mesma cultura.

O facto de , ao pertencerem também à mesma cultura, e as conexões emocionais criadas em ditongos, permitiu salvar vidas.

A força de acreditar e transmitir aproximação, por elementos de alívio e esperança, emoções não controláveis que contrastam com o medo, e a culpa.

A falta de entendimento que move um grupo de jovens a cometer um ato tão tirano perante uma ieficiente intervenção da polícia que, inevitavelmente leva a que a solução tenha que vir da adversidade ou não ao risco de cada um dos hóspedes.

O conceito de família, que renasce, apesar de não parentes do mesmo sangue, em situações de desespero.

Um conflito de posicionamento da minha parte gigante, sem saber ao certo com quem concordar.

Um filme intenso, e que me transmitiu que, a multiculturalidade existe, é possível, apenas com elementos positivos de relacionamento.

Um ataque que durou mais que um dia, onde a força de uma crença prova que, independetemente do dinheiro é mais fácil mover pela crença que pelos bens materiais.

E que todos, sem excepção, pela doce melancolia que é a vida, por vezes parece que temos prazer em sermos enganados, apenas para seguirmos a acreditar que a vida terá um caminho e um sentido.