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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Homens sem Mulheres.

10.02.19 | Delcy Reis

Título de livro intrigante, que me despertou curiosidade, talvez para tentar perceber o enquadramento de cada um de nós, mulheres, homens, no que a relações interpessoais diz respeito.

Título que se pode considerar este também bastante atual e enquadrado nas temáticas de género, tão amplamente debatidas nos dias de hoje.

Livro que nos prende, por Murakami, tal como em Kafka à beira mar, nos conseguir reter e prender ao seu mundo.

Descrições enigmáticas de personagens, onde a combinação com paisagens japonesas ainda pode despertar mais curiosidade a quem eventualmente ainda não teve oportunidade de ler este livro.

Da minha leitura, as passagens que retive com maior entusiasmo, foram Xerazade, onde a descrição de uma mulher estranha e diferente, que invade o mundo real de Habara, cruzamentos improváveis, onde o risco e acreditar na palavra ou mesmo fabulação contada por cada uma das partes, realiza o capítulo.

Samsa apaixonado, uma história interessante pelo facto de reunir duas personagens completamente desalinhadas do mundo onde se encontram, sem consciência do papel que podem representar, e onde a descrição biológica do fenómeno paixão, não poderia ser mais crua e platónica simultâneamente. Homens sem Mulheres, um desfecho pleno, onde a meu ver as palavras escolhidas para descrever a lógica de uma relação acabam por fazer todo o sentido, não sendo necessário em toda a escrita, recorrer a palavras como romantismo, flores, amor, ou as típicas formas de manifestar como as relações pode ser descobertas e regulares.

Em Homens sem Mulheres, a diferença de personalidades, o instinto inicial de reconhecer pessoas que não podem ser presas, a descoberta de pessoas que tendencialmente ao viverem a vida de uma forma demasiadamente intesa, acabam por se desiludir também com a mesma de forma bastante intensa.

Em Homens sem Mulheres, é mais uma vez evidenciado que, a monotonia emocional é o prato do dia, por uma questão de bem estar, medo, protecção e longevidade. Nos dias de hoje, adjectiva-se de maturidade.

Haruki, defende contudo que as mesmas podem ser feitas de mudanças, e podemos olhar para uma mudança como isso mesmo, ou então pelo simples desaparecimento.

Haruki, em cada uma das obras suas que li, foi capaz de transformar o quotidiano, num mundo de  fábulas, sendo esta uma constância em todas as suas obras, onde as personagens e animais, têm sempre uma pitada de Japão, que a mim em particular, me cativa ainda mais.