Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Então e a humanidade, em que é que se traduz?

07.10.18 | Delcy Reis

Passados alguns anos de existência, retiro algumas conclusões sobre a naturalidade da humanidade, e o que é que de humano a mesma possa ter, pelo desapego, pelo egoísmo, pelo esquecimento, pela relativização, de acordo com o momento, de acordo com o estado de espírito.

E sei que, daqui a 10 anos, voltando a refletir, tirarei conclusões diferentes e terei certamente novas histórias para contar, e vida passada.

Somos, em tempos diferentes invadidos com exigências de diferentes áreas da nossa vida, e decidimos.

Decidimos em função da importância que aquelas relações podem ter para nós, pela longevidade, pela intensidade e bons momentos que passámos, naquele instante. E , em função dessas decisões naturalmente que existe sempre alguém que fica " na fila de espera", à espera do seu tempo.

E aqui acredito que, única e simplesmente tem a ver com crença, e valor que aquela pessoa eventualmente possa ter para nós, nas interacções que tivemos mais  recentemente, porque as mais antigas, já estão bastante consolidadas.

Mas, decidimos também em função do futuro que vemos ou que deixamos de ver, naquele momento, que acreditamos ou simplesmente desistimos de acreditar, pelas promessas não cumpridas, pelos esquecimentos, pelos constantes diferimentos, tudo se resume à decisão que tomamos ou não tomamos.

 

Mas, essas prioridades e decisões, em função da rede que nos suporta naquele momento, rapidamente mudam, tal como a vida, que pode, mediante a nossa vontade e força rapidamente mudar.

Reconheço que, a barreira de uma nova década, foi forte de aceitar, e levou-me a fazer um novo balanço da minha vida, daquilo que tinha já conquistado, em detrimento de algo que diferi, para conquistar mais tarde.

De facto, na vida, os momentos, e o caminho que escolhemos é como num jogo de snooker: ora acertamtos porque estamos com a energia necessária, e temos algum conhecimento, estratégia e pontaria, ou então, por mera sorte, mero acaso, conseguimos colocar a bola no buranco.

E agora, chegou o momento, de aproveitar a oportunidade de meter a bola preta no buraco. E consegui, das duas vezes. E como se diz, na nossa língua, não há duas sem três.

Vou entrar naquela bolha diferente que em tempos sonhei conhecer, vou novamente encher o meu coração que tanto se tem esvaziado em crenças e pessoas de um mundo, de consumo, alcoól, tecnologias e pouca, muito pouca humanidade. Somos individuais. Desisto. Somos mesmo seres completamente individuais, que nos moldamos, por uma razão que a razão desconhece.

Ou pelo medo de dizer não, porque não está na moda, ou porque ao dizer e ao revelarmos quem genuinamente somos, ouvimos e lemos coisas que não gostamos. Mas, que nos fazem refletir, e aprender. Portanto é bom dizer que não, é bom sermos fiéis ao nosso espírito.

 

Sim, aprendi a gerir a importância que tenho no mundo, e por vezes é necessário mesmo expormo-nos para sentirmos que ainda conseguimos ter alguma influência na vida de alguém, quanto mais não seja nas gerações futuras, daqueles que, de forma consistente nos têm acompanhado na nossa vida.

 

Porque influência na minha vida, e nos que proximamente a acompanham, não tenho, deixo que entrem e saiam quando lhes aprouver.

 

Consomem-me, mas cada vez menos.

E coincidentemente quando  me consomem na totalidade, surge alguém que balanceia, surge sempre alguém que lança a bóia.

Para continuarmos a acreditar que algo faz sentido.

Portanto, a humanidade, traduz-se nestes balanceamentos emocionais, onde o egoísmo e o altruismo se têm vindo a compensar.