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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

E quiseram ensinar o amor

17.11.19 | Delcy Reis

E porque as mulheres têm que ser obrigatoriamente mais altruístas que os homens, porque por biologia dão o seu corpo para a vida de outro ser. 

E porque as mulheres, de acordo com a biologia evolutiva são propriedade do homem, porque a forma do pénis, em cogumelo, determina a limpeza do esperma da anterior relação, garantindo que aquele espaço apenas por ele é ocupado. 

E porque as mulheres têm que se sentir protegidas pelo homem, e porque as mulheres procuram o Porto de estabilidade no homem. 

As relações humanas nos dias de hoje para serem plenas conjugam a estabilidade e segurança, o dito território, com autonomia e liberdade. E este é o balanço essencial para que as mesmas possam funcionar. 

Por vezes asfixiamos, porque entendemos precisar de companhia mas, quando aprendemos a nos saber acompanhar, não entendemos o porquê da relação existir. E, se da mesma nada resultar, e aqui apenas e somente me refiro a descendência, como garantir essa âncora? 

Fui forçada a ser adepta da liberdade, fui forçada a ser adepta da autonomia. 

E sair desta redoma, decidir sair desta redoma, é uma decisão arriscada. 

Porque quiseram ensinar o amor. E desta vez foi um pagar para ver. 

De mãos bem arragadas e prontas para o embate. 

E quiseram ensinar o amor, num filme que recentemente vi, interstellar, onde toda e qualquer conexão emocional entre pessoas cuja ligação emocional é forte, parece acontecer. 

Quiseram mostrar amor, com esperança e cobardia com mentira, sem valentia, com falha, com falta de honestidade. 

Interstellar que refere e bem que, para as relações resultarem talvez a honestidade tenha que estar nos 90%, porque para seres humanos e efectivamente emocionais, seja a forma mais homogénea de manter a estabilidade emocional. 

E talvez a não transparência total, como em newness, o testar a relação, por desafios a colocar na mesma, pela ausência, pelo não controlo, efectivamente alimente. 

E quiseram ensinar o amor. Quis aprender. E vem a angústia. E depois, em busca da paz, o total desapego, e despreocupação. 

E somos todos seres humanos que, por compaixão de um olho brilhante damos um aconchego. 

E somos todos seres frios, fechados. 

Prefiro ficar com as borboletas. 

Prefiro ficar com o mar. 

Quiseram ensinar o amor material. 

Também já não quero comprar amor. 

O amor já está todo vendido. 

E nunca é suficiente. Nunca.