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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Ter | 03.07.18

Desculpa Paixão

Delcy Reis

Desculpa, porque me apaixonei e não controlei pela razão.

Mas, talvez se controlasse seria insuportável de suportar.

Desculpa se me expus sem pensar, se agi por mim, confiante no meu coração e na curiosidade que sentia.

Sim, a intensidade com que te vi, foi só minha. Mas só a intensidade. Porque o risco foi de ambos.

Nem sempre temos que ter um objectivo concreto em mente, que não seja só conhecer e conviver.

Mas foi como Romeu & Julieta, um miradouro pitoresco, com cheiro a terra, onde gotas gordas de água nos queriam molhar.

Temos que também respeitar o nosso impeto, aliás controlá-lo quando ele quer ser livre.

Lemos e procuramos buscar a felicidade, e nas pessoas e só nas pessoas é que ela existe. 

Os bens, dão-nos um bem estar fugaz e momentâneo.

Desculpa coração, que tive que te controlar uma vez mais. Dizem que é para o nosso bem estar. Não concordo e não te fui fiel. Não consegui que fosses liberto e genuíno, porque a quem quis dar, não to quis receber.

Entendamos que não seja merecedor desta dádiva.

O esforço, que não foi esforço de pulsares mais rápido, de trazeres o quente bom ao meu corpo todo, pelo amor que me moveu, teve que ser controlado.

Desculpa corpo porque tive que me conter, sem poder não mais partilhar essa boa energia que ambos tínhamos vontade de partilhar.

E seria perfeita a simbiose a acontecer.

Volta razão, e mostra-me que não há a perfeição, nem o nirvana.

Volta razão e mostra-me tão crua e básica que a vida é.

Desculpa Imperatriz, que deste parte pequena do teu império, e não to quiseram explorar mais.

Mas segura-te, porque ele é vasto, rico e teu.

Conserva-o. Dá a quem o queira conquistar e te mereça essa confiança.

Quem não o quer, quem o desprezou e suplicou pelo seu desaparecimento, desaparece.

Afinal, um império, só o é, por não ter pessoas cobardes.