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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Qui | 16.11.17

Delcy.

Delcy Reis

Delcy, uma mulher requintada de gostos e de aparência. Cabelo cinzento, ondulado, que lembra as ondas do mar em pleno inverno, com o reflexo do céu nublado, e escuro, acinzentado. Óculos de gata, sempre com vestido de tecido delicado, alfinete que se destaca no peito, e uma unha vermelha, bem pintada. Cheiro a pó de arroz, e bochecha macia. Aquela voz rouca, que sempre foi capaz de gerir desde a comida dos animais, até à grande festa de Natal. Lábio sempre pintado de uma cor com cheiro a framboesa, que realça o pouco de carnudo que tem. Bico de canário, que lhe faz companhia, sempre bem protegido, na sua gaiola dourada. Delcy, filha de reis e irmã de artistas Sempre com tudo, aliás com o que contávamos que tinha que existir, para cada momento com que nos presenteava. Não era nem a mais, nem a menos, era o que era suposto ser. Aquilo com que nos fomos, cada um, pela sua identidade, habituados a ter. Na medida satisfez o ser de cada um. Mas fica sempre um beijo por dar. Mas fica sempre um chocolate de Leite, em plena noite de Natal, por nos deliciar. Mas fica sempre, o doce papo de anjo, bem regado com fios de ovos, por lambuzar. Mas fica sempre uma regueifa de canela, aquecida com a manteiga a derreter por trincar. Mas fica sempre o pastel de massa tenra, cortado com copo de vidro, por comer. E ainda bem que fica, porque assim, já fez parte. Delcy,

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