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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Corona

31.05.20 | Delcy Reis

E várias têm sido as abordagens no que respeita a este tema. Desde a não venda da cerveja, pela associação a uma doença que, não querendo ofender, mas sim provocar,  está na moda.

Uma guerra biológica plantada entre estados de esquerda, puramente ditadores, e estados que privilegiam a liberdade de movimentação de pessoas e mercadorias. 

Sim, eu pelo menos pertenço a uma geração que sempre viu a globalização, a exposição a novas culturas como sendo algo positivo. 

Sim, eu pertenço também àquele grupo de pessoas que entende que a tecnologia, surgiu como apoio à nossa existência, naturalmente estando no outro lado da balança o controlo que poderá exercer sobre as nossas vidas. 

Mensagens de optimismo são enviadas em termos corporativos, onde se valoriza em certa medida o ser humano, a interacção humana, e física, negligenciando os riscos que daí podem decorrer.

A incoerência da vida é a primazia, e o que eventualmente pensamos ser um mundo organizado estruturado, revela-se nestes tempos de pandemia ainda mais caótico.

As amizades poderão ser aquilo que eventualmente nos sustenta nesta vida, não retirando o valor aos núcleos familiares.

O ser humano, emocionalmente balanceado, procura, com a disruptiva mudança balancear-se independentemente dos riscos, da faixa etária, porque informação tão diferente, será usada para o conforto de cada um, para a segurança do ser. 

Cruzo-me com vidas, perdidas por este fenómeno mundial, risos de desespero, olhos de desilusão, cansaço, descrença, falsidade, desresponsabilização toda e alguma.

Conheci uma mulher sueca, na mesma facha etária que eu. Cruzamo-nos no aeroporto. Perguntou-me se tinha um cigarro. Disse que não. Estava também no aeroporto há vários dias, bloqueada. Mãos e pés atados. Compromissos todos no destino, e no ponto intermédio, autoridades, companhias aéreas, aeroportos sem qualquer sentido de responsabilização. Sem saber o que fazer.

Pessoas, bloqueadas, expostas, onde o argumento de não movimentação é um suposto virus, ao qual estão à partida a sujeitar os clientes, passageiros,  pelo bloqueio. Portanto sejamos humanos, mas ao mesmo tempo não.

Portanto, a humanidade, de facto não existe. Tenho feito um esforço a todos os níveis para me apelar ao conceito de humanidade, mas ela não existe. Somos todos máquinas que andamos numa roda, roda essa que desacelerou, mudou a rota, e em vez de continuarmos alinhados, pontos de dispersão existem. Como se de um átomo se tratasse.

Talvez como se de uma explosão se tratasse, onde vários e dispersos pontos, bloqueados num nó, dispersam por decisões diferentes, onde o prioritário é a condição humana, ou então o prioritário é a tal da “segurança”. Sim coloco segurança entre aspas, porque o dito controlo de fronteiras poderá de alguma forma assegurar um menor risco de exposição, contudo, casos como o dos países nórdicos demonstram claramente que o encerrar fronteiras, e controlar internamente o virus não é propriamente causa consequência que o número de casos irá ser contido.

Sim, a máquina terá que continuar a rodar, com máscaras e com luvas, mas tem que continuar a rodar. Senão situações de clara insegurança provadas por colapsos económicos, quer regional, quer mundialmente irão surgir. E aí, estaremos a falar da combinação perfeita, entre uma pandemia, e revoluções de rua.

Corona. À tua.