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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Sab | 13.10.18

(Com)promissos|(Com)petição

Delcy Reis

E é isto que nos move. Compromissos ou Competição.

Competir entre todos e posicionarmo-nos o melhor possível: nas fotos do instagram, na melhor foto de criança que temos, na melhor viagem, na melhor moto, no melhor sorriso; para de certa forma alimentarmos o nosso ego, que não é alimentado de outra forma a não ser pelo que temos. Filhos, casa, emprego, dinheiro e sexo.

Compromissos, que acreditamos serem sérios e realizáveis e, de repente, mudam porque a nossa vida muda, porque a vida de com quem assumimos esses compromissos também muda.

Competir para chegarmos mais cedo e mais rápido àquele posicionamento.

E quando desistimos é porque estamos cansados, porque deixamos de acreditar.

Compromissos de relações que entendemos ver da forma que devem ser, e repentinamente nos apercebemos que podem ser assumidos de uma forma completamente diferente.

Sim, é sempre uma questão de perspectiva, e se de facto virmos sempre o copo cheio e sem ter que ser enchido, não vamos conquistar aquilo que queremos, não damos o esforço que deve e pode ser dado. 

Não entregamos a energia que, com o tempo, vamos cada vez mais deixando de ter, não entregamos o compromisso que assumimos inicialmente, talvez porque escrevemos um email e não tivemos que encarar a pessoa com a decisão de fim.

Se não for o compromisso que sustém aquela relação, apenas será pela competição e no fim do caminho, a compreensão ou desistência.

Não mantendo o compromisso inicialmente estabelecido, passamos ao "stage" dois de discussão onde dois egos se elevam com argumentação, passando assim o tempo, e não chegando a nenhuma conclusão, de paz ou de rutura. Aqui, se revela interessante a compreensão e o apoio que possa existir, o ouvido em que nos transformámos, ou não, e que podemos revelar apoio e não discussão.

Sim, sou um ser que se move pelos compromissos que assume com pessoas e não apenas pela minha mera existência se bem, que o grande desafio por vezes é mesmo o de, por mim mesma seguir a estrada, e chegar ao castelo, ao sonho ao objectivo, mas única e simplesmente pela minha segurança  vontade de querer continuar o caminho.

Ontem, dei por mim a pensar o porquê de ir para casa, carregada, cansada, desanimada, desalentada. 

Porque não ficar ali simplesmente na rua.

Todos nos fartámos da rotina, e tentamos mascará-la com conceitos de segurança estabilidade, palavras que a alimentam de uma forma positiva.

Todos, julgo procurámos a liberdade de decisão em pequenas coisas, em pequenos momentos de vida.

Sim, já passei pela fase do orgulho, em que me derrotei em função de alguém, em que me ajustei por alguém. Arrependimento, ajuste e novamente, altruísmo.

Vivemos num mundo corporativo competitivo e bastante desafiante, onde a seriedade e responsabilidade é levada de uma forma despegada para não assumirmos estados de desespero de uma forma muito rápida.

Vivemos num mundo  político e de simpatia, onde a responsabilidade não se assume, de forma verbal perante outros.

Compromissos pessoais, mesmo que levados com bens comuns, com pessoas que testemunham, são também levados de uma forma despegada onde princípios se destroem, coerências se alteram, e a volatilidade e caos surgem.

Nos dias de hoje, vivemos num individualismo, onde sermos conservadores parece ser vergonhoso, e pouco na moda.

Mas, a algo nos devemos agarrar para podermos seguir em frente, seguros daquilo que somos e daquilo que transmitimos.

Nem todos andámos perdidos, apenas assumimos quem somos de forma segura, sem poucas alterações no core da pessoa que somos.

E talvez, sujeitando-nos a diferentes culturas, diferentes formas de estar na vida tenhamos dificuldade em concluirmos aquilo que somos e quem somos.

A constante mudança, obriga a ajustes que esquecemos que em tempos fizemos.

A competição leva a um focus em prioridades que se revelam prioridades no momento, esquecendo outras competições onde  talvez queiramos entrar.

A competição não poderá ser diferente no género, sendo que entendo que a única característica que a poderá distinguir será a velocidade com que acedemos a informação e a curiosidade que podemos ter acerca de temas em debate.

Sim, neste momento, em termos de pessoa, se não forem estes os dois valores aos quais me agarro,  e apenas a mim, estou certa que levarei uma vida solteira, despegada de novos seres que entrem na minha vida, e sem ter com quem partilhar aquilo que conquistei.

Não deixando para já um legado pessoal, num núcleo muito restrito, vou deixando pelo que vos escrevo, pelas histórias e aventuras de vida que vou tendo, com a força que me caracteriza, e o sentimento que desaparece, dando lugar ao egoísmo máximo.

Numa companhia que é incerta, incoerente e inconstante.

Mas uma companhia, que obriga à constância do sorriso.