Incompanhia

Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Catalunya

Junho 10, 2018

Delcy Reis

Fa mes el k vol que el me pot.

Uma frase que me ficou, deste fim de semana diferente que tive em Barcelona. 

Viagem diferente, em todas as suas dimensões.

Primeiro, porque por todas as ajudas do universo cheguei atrasada ao voo, apesar da ajuda de toda a comunidade de pessoas que se encontravam no aeroporto, que colaboraram com o meu esforço, e me ajudaram a acreditar. Menos os 3 minutos de atraso que tive e que não  pude controlar. 

Sim porque apesar de querermos acreditar que temos tudo controlado, assim como o planeamento, por vezes não estamos todos na mesma velocidade. E, ao não estarmos todos no mesmo ritmo, qualquer empenho e forca adicional não faz com que nos acompanhem. Nem sempre. Mas bom, aqueles três minutos, foram os três minutos em que o tapete do raio x poderia ter andado mais rápido, ou o segurança poderia ter revisto a minha mala mais cedo.

Porque correr, corri.

 

Como consolo, o responsável que fechou a porta do avião, ainda sentindo a pressão emocional de talvez deixar uma pessoa a dormir no aeroporto, fez com que tivesse companhia ate ao balcão das recompras.

Compromisso assumido com Karol, companheira de aventuras no meio do deserto.

Arrisquei a minha vida, partilhar um fim de semana com uma pessoa que apenas partilhei 8 dias da minha vida, numa viagem em grupo e que só a conheci dali. Mas, talvez por saber que vive aquilo que me encontro a viver, apesar de com uma idade diferente, em certa medida, foi um fim de semana que me confortou.

E, melhor não podia ter corrido. Efectivamente, mais um pontinho no caminho da minha vida, que apesar de estar fora do comum normal,  faz-me continuar a acreditar no meu coração, nos compromissos que assumo com as pessoas que me rodeio, e na empatia sobre outras pessoas.

Fui conhecer outras vidas, fui passar uma tarde tão boa no parque da cidadela, onde o movimento de independência da Catalunha se sente cada vez mais; onde vemos pessoas a venderem um simples bolo de chocolate para fazerem a vida a viajar, outros, que vendem um livro amarelo, sobre a paz e a comunhão entre duas sociedades diferentes, transparecendo claramente uma mensagem política sobre a independência e a luta da mesma.

Não senti qualquer perigo, não senti qualquer mal estar, senti a mesma cidade, com o mesmo calor, quer em termos de temperatura, quer em termos de pessoas a movimentá-la.

As típicas despedidas de solteiro, as bicicletas, os tuc tucs, a internacionalização daquela cidade, onde os agapones estão. E as recordações também.

Uma cidade que também ela é  europeia mas que se caracteriza por aquilo que a envolve:

Mont Juic, Park Guell, as ramblas com uma feira de tapas, típica, a zona perto da expo e do mar cheia de pessoas, com gelados, bicicletas, a correr, tal como na nossa costa mas uma costa diferente, não  portuguesa.

o falar e ouvir catalão que nos aproxima de casa.

Curioso o sentimento talvez de outra liberdade e independência pelo simples facto de, apesar de saberem e conhecerem os perigos da água em que se banhavam, ignoraram tal era o calor.

Foi em tudo diferente. E tão bom que foi apesar da diferença que teve.

Fui visitar Susi e Murif dois agapones que vivem livres, dentro de um apartamento e com muito amor. Ora pousam nos meus  ombros enquanto tomo o pequeno almoço, ora me acompanham no cabelo, a trepar, enquanto lavo os dentes.

E sim, foram eles que me despertaram, para andar de bicicleta, perto do rio, com um equatoriano e um argentino.

E sim foram eles que me fizeram companhia no quarto, depois de ter ido dançar.

Fui dançar, para um sítio onde se dança e onde a energia positiva é contagiante: pessoas de origens diferentes, com formas de estar e de vestir diferentes, que me convidam para dançar, e me ajudam a aprender.

E nao é  por isto que gosto de dançar. Gosto de dancar porque aqui tambem liberto o meu corpo, e me divirto.

Tive cinco convites diferentes, onde os meus ombros eram convidados a se libertarem, e a mente e corpo a desfrutar do momento.

Onde uma simples ponta de dedo, um estalar de dedo, me apura os sentidos, para saber   Para onde me vou virar, me conduzem, com mais ou menos força pela dança, pelo ritmo da salsa e da batacha.

Gosto de dançar em casal, porque em certos casos sinto o meu corpo a ser conduzido por alguém, a não ter que ter qualquer controlo sobre o mesmo, e ele flutua, ao ritmo da música , sem grande esforco.

Obrigado Barcelona, ja fez parte.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D