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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Seg | 02.07.18

As saudades que a vida tem.

Delcy Reis

A palavra que é tão portuguesa, e tão forte emocionalmente.

Nos dias que correm, sempre associada ao fado, e genuinamente e portuguesmente o sentimento, no coração e na barriga é o mesmo. Ao ouvir a música e ao percorrer todas as saudades que a minha vida tem.

Quanto tempo demoram a passar, quanto tempo demoram a ir.

Tem sempre a ver com o nosso coração, e o que entregamos àquele evento.

Normalmente, a palavra saudade associo-a sempre a uma ou várias pessoas, nunca a um evento ou experiência que tive só.

E a saudade apenas surge, quando estamos prontos para dizer adeus a alguém. Que nunca estamos. E mais forte é quando alguém quer mesmo que esse adeus exista.

Saudade, é um sentimento de reconforto, ora por bons momentos passados com alguém, na nossa vida e que, de repente ou pelas circunstâncias ou porque essa mesma pessoa decide que assim vai ser.

Não sou da opinião que devamos respeitar esse desaparecimento da nossa vida, porque não é justificável.

É injustificável e cobarde. Talvez por significar erro, talvez por não ser rotina mas há pessoas que gostamos de manter e saber que temos por perto.

E as pessoas não são erros, ou  então, poderiamos usar o clichê do " errar é humano".

Não tenho tantas certezas quanto a esta temática, tenho sim certeza quanto às que por mim passaram, e o que de mim absorveram e levaram. 

E sim, tal como mar, a onda leva mas depois traz sempre qualquer coisa. 

O tempo da saudade, é o tempo que o nosso coração lhe dá, por aquilo que ela signifcou para nós. E até pode ter sido uma curta metragem, onde breves sorrisos, breves desabafos, breves crenças e sonhos foram partilhados.

A saudade, nasce de rotinas que nos fazem bem, que nos preenchem.

A saudade nasce de momentos de liberdade e de bem estar.

Nem todos, nesta vida, se poderão dignar dizendo que tiveram ou têem eventualmente saudades minhas.

E, neste momento, sinto que cada vez serão menos.

Tenho saudade de reconforto, saudade de solidão e saudade de perda.

A saudade de reconforto, sustenta-se nos metros de fotografia que tenho, de caminho e vida que vivi. Transmite-me paz e solidez.

Saudade de solidão, é a saudade atual. A Saudade da interacção diária ser com um monitor, e cada vez menos com pessoas. Saudade da emoç\ao estar suportada em tudo menos em pessoas. Talvez um escape, espero que momentaneo, porque sim esta é fugaz.

Saudade de perda, é saudade de fechar grandes portas da minha vida, sem querer que elas fechem, mas quem está do outro lado quer empurrar a porta bater.

E, neste último caso, não terei a força de a empurrar, mas sim a força de levar com a corrente de ar, sentir o vento frio na cara, os pequenos cabelos e pestanas sofrerem o embate.

Morder a boca. Cairá uma lágrima.

Mas tu, nunca saberás a hora dessa saudade, nem defines a sua vida.

Essa, será sempre por mim controlada e saboreada.

 

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