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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

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A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Sab | 18.08.18

A culpa é da Branca de Neve

Delcy Reis

Certamente que algumas das meninas que me acompanham, procuram perceber o porquê de alguns referenciais ao olharem para o porquê de se aproximarem de alguém.

A culpa é da Branca de Neve, cujo feitiço foi quebrado pelo amor verdadeiro.

Mas, revendo o filme Branca de Neve e o caçador, algumas incoerências surgem no perfil frágil e delicado que supostamente a Branca de Neve deve ter: delicada e frágil incapaz de praticar o mal, mas que no final do filme, pela sua valentia e capacidade de liderança já é capaz de o fazer.

Tal valentia, e clareza é dada pelo tal do amor puro, que alguém lhe transmitiu por um suave beijo, enquanto dormia, enfeitiçada pela maçã maldita.

A escolha da maçã, por ventura poderá estar relacionada com a maçã de Adão e Eva, mas deixo esta ligação para a reflexão de todos nós.

Revendo em modo filme, um dos desenhos animados que mais me acompanhou na minha infância, o encanto do bem, e da paz, certamente que me transimitram bons sentimentos.

A segurança e bravura, do caçador, comparando com William o seu amigo de infância, fazem a distinção para aquela, que por descendência viria a assumir a liderança de um reinado.

Um filme que, pelos seus efeitos especiais e grafismo é cativante de se ver, mas principalmente pelo laço emocional que me trouxe aos meus tempos de criancice. E talvez aqui surha o tal dilema que, aos olhos de uma mulher já em fase adulta, possa existir: é suposto derretermo-nos com a ternura deste filme, e encantarmo-nos, nos dias de hoje, com a potencial existência de um caçador, capaz de nos proteger e acompanhar para onde formos. 

Alguém que nos seja leal, aos compromissos que connosco assume, e esteja sempre presente e, principalmente nos momentos difíceis que possamos estar a passar?

Tantos são os principes com que nos cruzamos na nossa vida, que nem sempre temos a devida consciência para nos apercebermos que efectivamente o são.

Na idade adulta, e nos dias de hoje, sinto que nos movemos, mesmo que em par, por interesses individuais e o segredo estará em conseguir coexistir com as duas realidades, onde o caminho, apesar de separado, se sente que é sempre um só.

Já tive o dilema de guardar o Mickey, guardar o livro da gata borralheira, para que não sentisse a minha fortaleza ser derrubada.

Mas, mesmo assim não resultou.

Kristen Stewart, para mim não foi a melhor opção para o papel a representar, talvez por ter a sua cara tão relacionada com Crepúsculo, onde a expressão facial da fragilidade, a dúvida, são sentimentos claramente transmitidos pelo seu olhar e expressão facial, que me podem enternecer, mas que não consigo processar muito bem, talvez pela experiência de vida que já levo comigo.

Sim, as fragilidades sserão para ser partilhadas no nosso recanto e com aqueles que nos podem apoiar. 

Mas, neste caso sou adepta da não lamentação e fragilidade, mas da acção para resolver o ponto que nos possa eventualmente fragilizar e sofrer. Por maior sofrimento que possa advir futuramente, assim como incerteza.

Quanto ao referencial, daquelas que ainda buscam o seu principe encantado, talvez seja por ou sermos demasiadamente exigentes e colocarmos caracteristicas "sine qua non" que o nosso parceiro deva ter. Ou então simplesmente deixarmo-nos levar por um momento, e acreditar que momentos iguais àquele certamente se irão repetir única e exclusivamente com aquela pessoa.

E a culpa, será então da Branca de Neve, que me leva a idealizar um principe seguro, forte, que me proteja, e que me seja leal.

A culpa será da vida, que me leva a cada vez mais acreditar que ele não existe, e que não posso ser demasiadamente exigente com a mesma, para que as decepções sejam menores que as felicidades.

A culpa é da Branca de Neve, que passa por um jardim de fadas, delicado.

A culpa é da Branca de Neve que, apesar da sua fragilidade, tem também um espírito valente e de aventura, segura dos seus ideiais.

A culpa é da Branca de Neve moderna, que veste uma armadura e lidera um exército que coaduna, com a menina frágil, incapaz de praticar o mal.

A culpa é da Branca de Neve, que gosta de comer a maçã vermelha.