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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Seg | 06.02.17

Caixa de Recordações

Delcy Reis

Fui-te buscar na caixa das recordações. Também para me encontrar, estavas lá bem guardado. A memória falha, dos momentos vividos, pelo que é bom saber que estás bem guardado. Reencontrei o teu bater, o teu sentido, aquilo que te orienta e que me dá uma linha para percorrer. Recordações de estar à janela, a respirar o vento do campo, limpo, puro e sentir-me viva. Reencontrar-te foi reencontrar-me. Foi tranquilizar-me, perceber e lembrar-me de quem eu sou, por dentro e por fora. Uma mulher. Uma mulher linda e radiante, cheia de atributos, cheia de vida! Voltei a explorar-te, a descobrir o que te compõe e alimenta: o mundo, e toda a sua diversidade que ainda não descobri, o vento, o mar e o sol para me acariciarem a pele. Foi reconfortante sentir que ainda aí estás, que ainda brilhas e sonhas. Os reencontros permitem consolidar fases na nossa vida, fechar portas e aprender com as várias portas que fechamos. O papel e uma caneta, permitem-me voltar a encontrar-me com tamanha frequência que é incrível, balanceando a vida, consolidando cada passo, cada emoção. A tinta preta, e a folha branca, o início de qualquer reencontro.