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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Votar. Portugal

24.01.21 | Delcy Reis

Estive dois anos fora do meu país.

Regressei pela pandemia, pelo simples facto de ter medo de perder aqueles que ainda são meus. 

Deixei tudo. Carreira, uma vida diferente. Sonhos.

Enquanto fora do país, agarrei-me à pequena comunidade portuguesa, ou de UK, que no meu meio se foi reduzindo cada vez mais.

E quando estamos fora, após ter profissionalmente contribuído para uma empresa portuguesa, as sensações são estranhas. Diferentes.

Agarrei-me a movimentos novos em Portugal, que têm uma visão de uma economia diferente daquela em que vivemos. 

E hoje, fui votar. Várias foram as emoções que me assaltaram. Gostar muito do meu país, apesar de tudo. E isto vem de quem está fora, de quem vive fora.

Na fila, para a mesa de voto, uns queixavam-se da falta de organização. Mas não valorizavam o simples facto de poderem ter uma opinião, e um direito para que o seu país melhore, de alguma forma. 

Outros, reclamavam que as tecnologias poderiam ser utilizadas, e a presença de cada um de nós negligenciada mas, afinal de contas somos todos orgulhosos e patriotas do nosso país. Curioso entender de que forma, se na prática somos todos egoístas. 

De quem, provavelmente, terá que voltar a sair. 

Porque, por muito que goste do seu país, e procure a felicidade normal de qualquer um, terá que continuar a lutar.

Porque se, a sua experiência não é justamente valorizada, por uma questão de género, ou então por uma questão de regionalismo, quando todos somos um país só, então de que vale Portugal?

De que vale?

De que vale, as vidas e pessoas que procuramos influenciar, para acreditarmos, quando no final, nunca é suficiente.

Portugal, aquele cantinho verde, à beira mar, que tanto amo. E que me rejeita tanto.

Phantom Thread

17.01.21 | Delcy Reis

Filme de 2017, que me fez recordar o livro o perfume de Patrcik Suskind. 

Mr. Reynolds Woodcock, famoso alfaiate britânico, com uma vida pessoal bastante atribulada, onde todo o seu gosto e concentração se focavam na criação de obras de arte, vestidos de gala, e vestidos de noiva, dependendo da ocasião.

Com um passado de receios no que a um matrimónio diria respeito, refugia-se no trabalho, como motivação e força de vida.

Sempre acompanhado por sua irmã Cyril, sempre suportado na mesma formavam uma equipa de trabalho incrível que, ele próprio não estava disposto a mudar. Pelo hábito, pelo conforto.

Num dos fins de semana de escapatória para a sua casa de campo, conhece Alma, uma empregada de mesa de uma casa de chá. 

Encontro de sorrisos, por naturalidade, talvez de ambos, mas mais de Alma.

O único pedido de Alma foi, para o sentimento de alguém que julgava que a procurava há algum tempo, que tivesse cuidado.

Todo um desenrolar de relação, onde o desconforto, gera a insegurança, e na máquina e força do hábito, o sentir a perda de controlo, a exposição a novos mundos, a novos estimulos, traz vida àquele que rotineiramente se encontrava habituado ao mesmo número de clientes, aos mesmos vestidos a realizar.

E essa abertura, a uma nova realidade despertou num alfaiate, um sentimento que descnhecia. Ou que talvez tivesse receio de sentir. Pela exposição em restaurantes de alta sociedade, pela vontade individual de cada um nem sempre estar na mesma página.

O risco de perder alguém que sabia que precisava de ter na vida dele, levou a ponderar as suas próprias rotinas, as suas individuais prioridades.

Jogos de empatia, jogos de busca de atenção, tudo em busca de sentimento de utilidade, de fazer parte e acima de tudo de felicidade e poder cuidar e ter alguém para si num momento específico, sem outros. Só dois.

Banda sonora profunda, bastante suportada numa força de cordas incrível.

Representações únicas, quer por empatia de género, quer por fragilidade de vida, onde as relações prevalecem. E devem sempre prevalecer.

 

 

O que procuro

16.01.21 | Delcy Reis

O que todos procuramos. Felicidade. E esta poderá ser induzida por consumismo, ou então até por objetivos que definimos, para nós. Por experiências a viver, relações estabelecidas, ou apenas por procurar the perfect spot where the green grass exists.

E, de facto, não existe, todos queremos representar um papel na sociedade, todos queremos e devemos ter um lugar.

Confiamos, acreditamos, voltamos a ficar desiludidos.

E, agravante de medida de confinamento, ainda promove mais a solidão a que já estava habituada antes de toda a pandemia. 

E por vezes chegamos a um ponto, onde o peso do que recordamos talvez seja superior aquilo que nos resta viver. 

Recentemente chegada ao meu país, e na esperança de rever aqueles que não vejo há bastante tempo, a pandemia é o motivo para não nos revermos.

Para os que nunca viveram fora do seu país, e que acreditam que a felicidade está no outro lado, de facto o que vos posso partilhar é que: solidão, agravada pelo facto de não nos enquadrarmos com alguém da nossa cultura é ainda mais desafiante. 

Procurar integrar em jantares de vizinhos, egípcios, espanhóis, franceses, onde muitas vezes, sendo a única portuguesa nos perguntam: o que é que estás aqui a fazer? e a resposta naturalmente, será estou a fazer o mesmo que tu. 
Mas o apontar de um país pequeno como o meu, que tanto gosto. Enquadramento europeu, quando de britânicos temos tão pouco. 

O sentimento de patriotismo pode ser muitas vezes aquilo que nos sustenta, e as saudades do nosso núcleo, do nosso país, por maior lider que possamos ser, existem sempre. 

Tive a oportunidade, de conhecer diferentes realidades de vida, diferentes pessoas cada uma delas perdida, sem rumo, desmotivadas, por quedas profissionais, por quedas pessoais, e cada uma delas com os seus refúgios que não condeno. Compreendo.

Cada uma com as suas necessidades para promover a tal da auto confiança. 

Ou com a necessidade de se sentirem mais novos, ou com a necessidade de mostrarem aquilo que têm. 

E, podemos falar de sermos uma cultura claramente católica, onde despromovemos a cultura, mas achamos que o peso do hábito de ir a uma igreja certamente é mais benéfico. 

Defendemos acreditar em Deus, quando, todos nós no dia a dia não praticamos os valores que eventualmente lá podemos ouvir. 

Passamos opiniões e conselhos de humildade, mas na verdade andamos sempre numa comparação de extratos sociais, de bens, com sorrisos, que talvez e genuinamente não são felicidade, apenas são a necessidade que temos de mostrar aquilo que temos.

Amigos, passageiros. Amigos que perduram. 

Projetos falhados, promessas escritas em vão. 

Nós que defendemos uma humanidade, onde todos nos devemos ajudar, na realidade, o que praticamos é um egoísmo atroz, e uma vontade incrível de vencer. E por vezes, infelizmente a todo o custo. 

E, dependendo de quem, sim por vezes magoa. Dependendo ao que nos dispomos a acreditar e em quem confiamos. 

Acredito que todos vocês ficaram desiludidos, com alguém em quem apostaram e acreditaram e projetaram toda uma vida. E por quem tomaram decisões que, a partir de uma determinada fase da nossa vida, podem custar bastante caro. 

A todos os níveis.
Boa sorte com quem se cruzam e a quem se entregam e da forma como o fazem.
O que vemos no início nem sempre é. 
Reviver e sempre bom. Mas apenas e com aqueles que, foram impecáveis.

A seu tempo. Tempo que cada vez mais valor tem.