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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Cabana.

19.10.20 | Delcy Reis

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Regresso ao meu país. Na procura de sentir que pertenço. E que ele me pertence.


A algo, a um meio. A uma comunidade. 
Procurar descansar. Procurar bons momentos, nas raízes de relações que construí ao longo da vida, e que me permitiram alicerçar a pessoa que sou. 

Momentos estranhos porque, nas rotinas, hábitos claramente criados pela minha infância e pelos meus familiares. Gestos e atitudes sem pensar. 

Por uma questão de hábito talvez. 
Encontro-me a viver de recordações. Outra vez. E é um ciclo. Real. Será novamente um balanço.

Voltar a cheirar Portugal, quer no Sul, quer no Norte. Pelas comidas, pelo sol. 

Fazer aquilo que gosto de fazer, e ter a sorte de ter amigos que me acompanharam e com quem pude partilhar estar ali. 

Reviver. E procurar vida em alguém. Que a queira partilhar.

Porque a morte, cada vez a vou tendo mais perto, e essa noção de finitude, vai sendo lenta e gradualmente aceite. 

Procurar vida. 
Sempre procurar vida.

Sempre procurar aquilo que queria/ gostava de ter, consciente da cada vez maior pequenez. Mas que, no fim da linha não seja una.

 

 

Constelações

03.10.20 | Delcy Reis

As denominações que utilizamos para as diferentes constelações estão imbuidas de história, tradição e mito. Enquanto aglomerações imaginárias de estrelas, sempre foram alvo de fascínio do homem. 

Perplexo, com aquilo que o rodeia, comprometeu-se  a decifrar as suas próprias origens com base num espaço mítico, e cosmogónico, atravessado por inteções sobre-humanas, espaço este ilimitado. 

Acomodou vontades antagónicas de deuses, sempre fascinado com a esfera celeste que é o seu planeta, e instigado pela demanda investigatória do seu olhar, as estrelas e as constelações surgem nos mapas e nos mitos, sob a forma de narrativas e signos vários. Nessas marcas luminosas, aparecidas no céu, o espírito do homem encontrou indíces, misteriosos acerca do universo, da vida e da humanidade.

 

Este é o território, no qual a constelação surge posteriormente, entre as estrelas fixas com o dom da imortalidade e uma permanente lembrança de destinos colectivos e individuais.

Autores como Walter Benjamim defendem que as ideias estão para os objetivos, assim como as constelações estão para as estrelas, ou seja, as ideiais não se encontram realmente presentes no mundo mais do que as constelações realmente existem nos céus. De alguma forma, a obra de arte é uma poderosa metáfora da constelação.

E no final, somos todos estrelas, de constelações.