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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Individualismo do século XXI

28.09.20 | Delcy Reis

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Olá. Hoje inspiro-me para escrever as mudanças que sinto que nos encontramos a viver.

Talvez seja só eu mas, do que vivi, até agora, e do que espero ainda poder viver reflito perante a sociedade do meu país e que se apresenta. E não lhe ponho a culpa, ou então ponho a mim por pertencer a uma geração dita de ser impaciente. E ao ser impaciente, é porque desde cedo aprendeu a interagir com a tecnologia, como facilitador, ou plataforma de comunicação com o mundo. E a não interagir com humanos.

Está em voga não existir pressão, sendo uma falácia. A pressão existe sempre e existirá sempre, porque somos pessoas, que vivemos com tempo, e com decisões fáceis ou difíceis.

Está em voga alimentar apenas as energias positivas. Ou o tal do equilíbrio, ora para manter o que nos faz sentido, balanço entre a vida pessoal e profissional, ao qual acrescentamos a palavra experiência.

Naturalmente que, menos exposta a uma força empregadora 95% internacionalizada, onde culturalmente o suporte que é dado apenas abrange duas bolhas: a familiar e a profissional. Contraste gigante.

Ter um suporte, que não estava de todo habituada a ter, porque tudo o que era construído à minha volta  o foi única e simplesmente pela minha acção e iniciativa.

E confesso, sinto-me numa bolha cinzenta, ou então usando o inglesismo, no 'in between'.

Julgam-me femininista, julgam-me diferente. Sempre foi feito. Sempre foi referida e de forma coerente a intensidade com que adoro viver a vida. E venho a absorver isso cada vez mais como algo não positivo. Mas, a meu entender não o deveria ser.

Desde sempre que me interessei por diversos temas, claramente mais focados na dimensão da minha formação, de vertente económica. 

E quando todos achamos que somos sempre iguais e que nada muda nas nossas vidas, independentemente da trendy inteligência emocional que nos ensina a ver tudo o que de positivo podemos ter, o que é facto é que vivemos tempos estranhos.

Tempos de máscara e olhares desconfiados. Tempos de pandemia que, forçosamente podem invadir a nossa mente, e nos fazer sentir única e simplesmente confortáveis se usarmos óculos escuros, ou então um capucho, porque o controlo, pelo menos onde vivi até à bem pouco tempo era absoluto. Pode trazer uma sensação de segurança, mas também de sufoco.

Tempos em que perdemos cada vez mais a capacidade de sermos humanos. 

E quando o somos, parece que toda a sociedade nos critíca pela fraqueza que possamos ter.

Somos todos fortes, mas as experiências que vivemos, constroem-nos. E repelem, ou por género, ou pelo que seja, aqueles que supostamente, pela nossa criação de pessoa nos deveriam fazer bem, e trazer a tal da felicidade.

Vou pedir um anel emprestado. Só para que a sociedade me deixe pertencer.

Só para que me rotulem de uma maneira diferente, apesar de esse rótulo vir por vezes ou de famílias tradicionais, ou mesmo das disfuncionais.

Todos, desde pequenos vamos sempre atrás da felicidade.

Hoje vi uma criança num horto, a olhar para uma fonte de água, e a avó dizia, e de forma correta "não toque". A criança, procurou logo, outro ser do seu meio para ouvir o sim, procurou logo buscar o sorriso.

Aqueles a quem eu fiz algo de bom, seja profissional, seja pessoalmente, façam-me sentir viva neste ano de 2020.

 

Tendências. Pandemia.

15.09.20 | Delcy Reis

E estamos de facto a viver uma pandemia a nível mundial. Onde a humanidade e individualidade de cada um é posta em causa. 

Onde eventuais gavetas estruturadas, de foro profissional e pessoal são baralhadas e misturadas.

Onde quem, sem o devido suporte familiar, poderá eventualmente acreditar que o suporte familiar acontecerá noutros grupos, noutros meios.

E cada vez mais acredito que o nome deste blog faz sentido e foi, na altura visionário, por saber que estamos constantemente e coerentemente a ser incompanhados.

Tempos que premeiam em nós, não vivendo no habitat que nos é familiar, a nos tornarmos animais anti sociais, e a só sabermos sorrir para máquinas e equipamentos eletrónicos, onde o vício da tecnologia, a magia das cores, dos movimentos, hipnotiza o nosso cérebro.

E eventuais tertúlias que poderiamos promover, entre seres humanos, em qualquer fórum, são substituídas por monitores, por teclados e a voz, é perdida, em mensagens verdes de plataformas onde, inicialmente acreditamos na sua privacidade, mas onde não assinamos qualquer RGPD, e onde nos dias que correm a total transparência de informação é prato do dia, quer por redes sociais, que premeiam um modo superficialmente cor de rosa, e que naturalmente vicia pelo lado bom que tem.

E, mesmo que o tenhamos feito, não controlamos a capacidade de transparência que poderá acontecer, pela má fé praticada por aqueles que eventualmente a poderão controlar, porque o word of mouth é, de facto, e nos tempos que corre a maior ferramenta de marketing e de divulgação.

Ora passamos a peões de distribuição de informação, ora somos meros instrumentos de escrita em computadores, em busca de uma hipotética felicidade, ou bons momentos de prazer e relaxe que, apesar de momentâneos, serão aqueles que sustentam a leveza do ser.

Tempos de pandemia, onde olhares se cruzam, e pela expressão facial estar parcialmente cortada, assustam, pela falta de confiança, pelo receio de contágio, pelo desconhecido, pelo medo de morte. E aqui sim, entendo o que de facto será a zona de conforto. Mas, não aceito.

No que ainda hoje é comentado nas redes sociais, sobre o acompanhamento físico, o distanciamento social, o que vemos são regras incoerentes, políticas de conteção passadas, sem qualquer critério e coerência, que procuram promover economias que se apelidam de humanas mas que, ao mesmo tempo e legitimamente, não podem deixar a máquina abrandar. Contudo, e por isso mesmo, pelos tempos de instabilidade que vivemos, a incoerência pode por vezes voltar a surgir.

No que tive oportunidade de viver, movimentos de migração opostos  entre países, seres humanos a serem transacionados, como uma moeda, onde regras de higiene são a arma de promoção de modernidade de cada um dos países. Contudo, a pesada estrutura de investimento que pode implicar, aliada à típica luxúria e ociosidade do ser humano, travam apoios inicialmente garantidos. 

E nós seres adultos que devemos ser capazes de ter um controlo emocional, aqui e nestes tempos que correm, vemos que efectivamente esse controlo emocional é por vezes impossível. A tal da inteligência emocional que nos força a ver o lado positivo da vida, por vezes numa mudança de hábitos e comportamentos tão drástica, ensina eventual re balanceamento. 

Do que é realmente importante. Para cada um de nós. Vida.