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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Black & White

19.11.19 | Delcy Reis

E apesar de dizerem, apesar de questionarem a questão da cultura, o que é facto é que, também aqui a distinção mulher homem acontece. 

E, também é, na minha opinião por uma questão de preconceito, a cultura árabe é tida como pouco evoluída, comparativamente com a europeia, ou portuguesa digamos. 

E, não digo que em termos corporativos não existam oportunidades de melhoria, que não exista a dita experiência que seja certamente um valor acrescentado em termos técnicos. Mas não é a isso que me refiro. Mas sim ao facto de, elas estarem vestidas de preto e eles de branco. Ambos com o corpo todo tapado. Ambos. Portanto o papel da mulher sofredora e submissa certamente não terá que ver com a cor e a forma de vestir. 

A suposição que a mulher será sofredora e que o homem, terá que ser a autoridade e o decisor do tempo em que algo acontece. 

Honestamente, penso que terá que ver com o tempo em que alguém quer forçosamente algo, e com o respeito dessa condicionante. Terá que ver tão e somente com objetivos de felicidade que se podem consubstanciar em família, é um facto, em companhia, também um facto. 

Existindo duas posições de força, existirá sempre uma que terá que se submeter, esperar. Consoante o interesse. Consoante aquilo que quer ser mostrado à sociedade. 

E grande parte de nós afirma que as decisões são tomadas individualmente. Mas não. Somos, na medida em que nos expomos, sempre influenciados. E naturalmente por aqueles que, pelo tom de voz, continuidade, nos dão essa segurança. 

Não é pelos cabelos tapados que as mulheres não têm liberdade. Será visto como respeito e não necessidade. Outra forma de conforto. 

A liberdade depende única e simplesmente da formação de cada um e da honestidade de espírito. 

Aí seremos sempre seres livres. E felizes. 

 

 

E quiseram ensinar o amor

17.11.19 | Delcy Reis

E porque as mulheres têm que ser obrigatoriamente mais altruístas que os homens, porque por biologia dão o seu corpo para a vida de outro ser. 

E porque as mulheres, de acordo com a biologia evolutiva são propriedade do homem, porque a forma do pénis, em cogumelo, determina a limpeza do esperma da anterior relação, garantindo que aquele espaço apenas por ele é ocupado. 

E porque as mulheres têm que se sentir protegidas pelo homem, e porque as mulheres procuram o Porto de estabilidade no homem. 

As relações humanas nos dias de hoje para serem plenas conjugam a estabilidade e segurança, o dito território, com autonomia e liberdade. E este é o balanço essencial para que as mesmas possam funcionar. 

Por vezes asfixiamos, porque entendemos precisar de companhia mas, quando aprendemos a nos saber acompanhar, não entendemos o porquê da relação existir. E, se da mesma nada resultar, e aqui apenas e somente me refiro a descendência, como garantir essa âncora? 

Fui forçada a ser adepta da liberdade, fui forçada a ser adepta da autonomia. 

E sair desta redoma, decidir sair desta redoma, é uma decisão arriscada. 

Porque quiseram ensinar o amor. E desta vez foi um pagar para ver. 

De mãos bem arragadas e prontas para o embate. 

E quiseram ensinar o amor, num filme que recentemente vi, interstellar, onde toda e qualquer conexão emocional entre pessoas cuja ligação emocional é forte, parece acontecer. 

Quiseram mostrar amor, com esperança e cobardia com mentira, sem valentia, com falha, com falta de honestidade. 

Interstellar que refere e bem que, para as relações resultarem talvez a honestidade tenha que estar nos 90%, porque para seres humanos e efectivamente emocionais, seja a forma mais homogénea de manter a estabilidade emocional. 

E talvez a não transparência total, como em newness, o testar a relação, por desafios a colocar na mesma, pela ausência, pelo não controlo, efectivamente alimente. 

E quiseram ensinar o amor. Quis aprender. E vem a angústia. E depois, em busca da paz, o total desapego, e despreocupação. 

E somos todos seres humanos que, por compaixão de um olho brilhante damos um aconchego. 

E somos todos seres frios, fechados. 

Prefiro ficar com as borboletas. 

Prefiro ficar com o mar. 

Quiseram ensinar o amor material. 

Também já não quero comprar amor. 

O amor já está todo vendido. 

E nunca é suficiente. Nunca. 

 

 

 

Girl on the train

12.11.19 | Delcy Reis

Filme de 2016 que só agora me cativou, pelo livro que tenho por ler e que não trouxe por não ter espaço na mala. 

Mas a vontade veio e a curiosidade foi satisfeita. 

Várias foram efectivamente as opiniões que ouvi na altura, e diferentes. 

Filme pesado, bastante onde Megan, Anna e Rachel representam três papéis tão distintos, e cada um deles incrível. 

Pelo medo de erros cometidos anteriormente e não assumidos, não partilhados, por uma busca de entender as vontades e de sentir adrenalina, de se sentir desejada mas não possuída, de opostamenre, quer homem quer mulher não saberem lidar com a estabilidade das relações assumidas ou então como passatempo?

Rachel, por se fechar única e simplesmente à sua percepção de acções, pela não exposição com receio da crítica, apercebendo se que a vida que outrora lhe foi interiorizada, pelo meio e rotina assumidos, não correspondia minimamente a realidade. Pela sua autonestima e pessoa ser constantemente colocada em causa pelo parceiro, é não de uma forma positiva, mesmo que sem espectadores. 

Mostrando que vivemos para a imagem que transmitimos aos outros, pelo que a sociedade por defeito preconceptualiza, pela dita experiência, sendo necessário um segundo terceiro testemunho que mostre que, nem sempre os que são diferentes estão errados. 

Quer pelo nome, quer pela imaginação, Rachel forçada a seguir uma vida imaginária, após ter perdido em ambas as dimensões de sua vida, segue calada e censurada. 

Abriga-se no álcool, abriga-se na pintura, para esquecer, para lembrar.

Recomendo, por todas as três histórias diferentes, e que de tão iguais são. 

 

Dubai, round II?

12.11.19 | Delcy Reis

E por mais uma chegada ao Dubai, de um clima mais agreste, e após um fim de semana, com companhia que cada vez mais será fugaz, infelizmente regresso a uma cidade que, apesar de todas as intempéries, me vai mimando com os pequenos detalhes. Como se de uma noite de verão se tratasse, fui caminhar a beira mar, e essa beira mar cheia de grupos de pessoas e famílias, a beira mar, como de um Algarve que recordo de tempos de juventude.

E foi uma noite quase perfeita.

Só que não. 

Porque somos bafejados pelo egoísmo de outros e falta de compromisso assumido com terceiros. 

Mas, mesmo assim Grizlly bear pelas luzes brancas perto do mar e da lua, por um café com chá de menta, e por também aqui a rotina das famílias, crianças existir. De se caminhar a beira mar, juntamente com mais pessoas, sendo diferente porque nos esquecemos que é Inverno e frio. 

Porque aqui o verão é sempre. 

Só que não.

Sou acordada por miar de gatos e mesquitas que chamam os seus fiéis em cânticos de meio tom, para mim encantadores. 

Hoje a combinação, ou sobreposição foi de Miles Davis. 

Companhia certa,