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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

(In)Genuidade

27.03.19 | Delcy Reis

Curiosa a palavra sobre a qual vos escrevo hoje. Alicercada também à genuinidade à qual me procuro associar.

Sendo esta a companhia, que ainda não teve a oportunidade de largar os In's, acrescento mais um, pelas reflexões de vida recentes.

Entendo, que o ser ingénuo, mesmo num mundo mais maduro, nada tem de errado. Pela forma simples com que podemos eventualmente encarar o nosso dia a dia. E uma vez mais, assumirmos, de forma consciente que pouca coisa conseguimos eventualmente controlar.

Mas hoje, a mesma, é facilmente corrompida, pelo tempo em que recebemos a informação que nos é importante receber. E deixamos esta de parte, "aprendemos" da forma mais difícil, que de simples a vida não tem nada. Cada vez se torna mais e mais complexa. Cada vez nos força a não sermos puros, cada vez nos força mais a não acreditarmos, e novamente reduzirmo-nos ao dia. Um por um.

E hoje, os que são puros, os que se entregam de forma absoluta, a todo e qualquer compromisso, cada vez se entregam menos, cada vez acreditam menos, cada vez forçam menos.

E passamos, para a individualidade, que de pura nada tem. Apenas terá de paz de espírito, de protecção total e absoluta, para forçosamente o individuo se sentir bem. Não precisando de grande complexidade em redor, para tal acontecer.

Apenas o falar, desperta eventualmente emoções, fortes, e quando não existe esse falar, o compromisso como se esvaneia, se perde em fumo.

E falámos em gestão de relações e compromissos, e falamos em continuidade, e falamos em não exposição. E falamos uma vez mais em deixar o coração de parte, e caminhar, de acordo com os pequenos pontos que nos aparecem à frente, desligados de tudo.

Mas, se nos desligamos de tudo, valerá a pena estarmos de alguma forma ligados?

Como nos podemos afirmar genuinos, puros, pela constante impureza que nos rodeia.

Como nos podemos afirmar de ingénuos, comentendo esse erro, se de tanta complexidade somos rodeados, de tantos interesses individuais?

Chamemos antes, paixão, e vontade de querer continuar por cá, sem qualquer propósito a não ser mais o de ser feliz. E terá que, para já ser apenas à base de mim. Não chamemos egoísmo, chamemos antes a forma de conseguir SOBREviver.

 

Louvre. Abu Dabi

23.03.19 | Delcy Reis

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Primeiro espaço cultural, em terrenos árabes.

Alguma curiosidade, por poder beber a influência da cultura ocidental, num país, que de tão superficial tem em termos de vida, e que pouca profundidade terá  em termos culturais. 

Após a Sheik Zayed Moske ser visitada e poder ter imaginado as mil e uma noites, apesar da sua tão recente construção, o contraste do edifício do Louvre, no que a sua edificação respeita, assim como conteúdo será a visita a descrever, pelo seu caráter universal.

Espaços amplos e modernos, luz natural, e uma exposição que de pouco ruidosa deve ser,  está sempre acompanhada pela água, em seu redor.

Toda e qualquer passagem de sala, transmite uma mensagem de multiculturalidade, pelos diferentes idiomas onde a filosofia de grandes autores, como Sócrates,  “wisdom begins in wonder”, Lutra e Khalil Gibran, nos transportam, para reflexões profundas, ou a paz interior.

Uma exposição universal, onde a transparência e semelhança de diferentes continentes,  no que à religião diz respeito, a forma como é idolatrada, trouxeram uma consciência de universalidade, entre diferentes povos que uma vez mais poderá contribuir para o não entendimento dos constantes e recentes conflitos humanos, suportados em comportamentos de vingança e ódio menos controlados.

Sobreposição da Dancing Shiva, Deusa Hindu, com o crucifixo de Deus, urnas cuja semelhança na forma e nos deuses que cada uma das religiões venera, são formas de culturalmente reforçarmos a ideia que todos, apesar de com raças distintas, procuramos olhar o mundo, tendo como referência energias positivas não conflituosas. 

E todos teremos a responsabilidade, de as tornar mais presentes que as que contribuem para a destruição.

E um vez mais o que, também une templos, igrejas mesquitas, será a rota do incenso que, em tempos sendo mais caro que o próprio ouro, serviria para purificar espaços, e promover a harmonia. Essência exportada, inicialmente para o mediterrâneo, e posteriormente para a Ásia oriental, a sua presença é também transversal no que  religiões respeita.

O reforço, de uma visão espiritual não baseada no sofrimento, como é o caso do cristianismo, mas na dança nos cânticos, numa flor de lotus, que na forma como em conjunto, traz também a paz de espírito, e promove a prática do bem e da esperança, de bem estar.

No espaço exterior, o contraste do edifício, com uma rede de cápsula que se entende como sendo a proteção de uma peça de Lego branco gigante, conjugada com as vestes brancas deles, que sendo imperadores, também têm as suas danças e forma de partilhar a alegria de estar vivo. Para além das vozes, ecoam os tambores, num contraste moreno, e cinzento.

Vanguardismo, e profundidade são as palavras que uso para adjectivar esta passagem no Dubai.

Louvre, em França, poderá ser a minha próxima visita.

Barómetros da felicidade

23.03.19 | Delcy Reis

E andamos todos, ou grande parte de nós na correria, da felicidade. E essa, que por vezes tão superficial é partilhada nas redes sociais, ou então num jantar de amigas onde o orgulho de uma delas, prevalece sobre as restantes pelas novidades que tem para contar. E também pelas reflexões que as próprias férias, por período de reflexão, puderam proporcionar, no que ao significado da vida diz respeito.

Refiro-me a um barómetro, que parece que nunca está  cheio, sendo que por vezes pode ser alimentado por uma emoção superficial e volátil.

No meu caso em particular, sei que o encho, rodeando-me de pessoas, dando boas energias que, se refletem em boas energias no sentido oposto. Para quem, por ventura acredito que deva fazer parte.

Porque, se quer fazer parte, tudo bem, e cá estarei para receber de uma forma coerente, e continua, caso contrário, se for passageiro, por favor que não seja por muito tempo.

E por  vezes, caímos na tendência de ter bons momentos, para os poder partilhar em redes sociais, mais do que efectivamente podermos desfrutar dos mesmos, das pessoas que nos conhecem e que queremos forçosamente, de parte a parte, que continuem a fazer parte da nossa vida.

Fotografias de felicidade, medidores de felicidade, para mostrarmos onde a mesma pode ser alimentada. Ora com pessoas, ora com a novidade, de pessoas, ora com a parte material. Ora apenas e somente com a solidão.

Picos de emoção, emoções fortes, boas de serem vividas, balanceadas com momentos de paz e tranquilidade.

Desafios aos quais nos propomos, que nos propõem podem fazer com que saiamos de casa, em busca de sol, e de cheiro a mar.

Mas tudo não passa de partilhar aquilo que gostamos, com quem gostamos de estar.

E bons sinais de saber acompanhar, saber estar,  reforçam que continua tudo a fazer algum sentido.

Não meço a minha felicidade pelo número de posts que faço nas redes sociais, meço antes, pelo número de vezes que consigo estar com as pessoas que me acompanham, na minha turbulenta companhia, segura e certa que essas, poderão continuar a ser presenteadas com as minha sempre boas energias.

 

Uma mulher. Simples

21.03.19 | Delcy Reis

Reflexão recente sobre estas duas palavras. Uma mulher. Simples.

Apenas e somente isso, pelo simples e claro que é. 

E tendo a vida me proporcionado a oportunidade de me cruzar com tantas outras, cujo preenchimento que têm, em termos materiais e concretos será tão distinto.

E certamente que, pela diferença, não será mau. Apenas diferente, por tempos diferentes, decisões diferentes, ruturas, e pontos no caminho que foram sendo unidos por uma linha chamada caminho, chegando a um ponto de eventual "união", ou sendo mais precisa, "cruzamento", mostra que podemos canalizar as energias de forma distinta, efectivamente pela dimensão emocional que precisamos de abrigar.

Uma mulher, com experiência como outras mulheres, com crianças, jovens, que reúne todas as capacidades e competências, a dita experiência, para as poder pôr em prática. E põe, junto daqueles que têm  essa oportunidade.

E engraçado é ver, que as inseguranças que pelos que nos rodeiam, pensámos que sejam características que já a nós pertencem, não passam somente de influências, pelo meio em que nos encontrámos, más energias, que uma vez mais nos podem condicionar no passo seguinte.

Uma consciência emocional cada vez maior, que apenas e tão somente procura ter alguma paz de espírito.

Receava, pelo dinamismo e constante mudança que a vida  nos traz, juntamente com a crescente invasão tecnológica, eventualmente me ter esquecido do que é ser humano.

Eventualmente passo de uma dimensão de posse, para uma dimensão, de "cloud", onde toda a experiência e conhecimento se encontra neste momento armazenada, para poder ser aportada ao próximo projeto que virá. 

Talvez seja uma defesa. De certo o é.

Hoje vi uma criança a chorar.

E entendi, o que é poder acompanhar alguém. Confortar alguém. E que bem que soube, ver que o consegui fazer, um ser tão pequenino.

Entendi também o desapego que é preciso ter, por aqueles que são ditos como não sendo nossos.

Mas, como não os tenho, laço forte e direto, abraço os que eventualmente me rodearem.

Posso afirmar que foi o que escolhi, mas não o será, será também o que a dita "vida", de um sentido lato, escolheu para me dar, mostrando-me que, o que quero, o que eventualmente posso precisar, não foi percebido.

In(veja) I(dade)

06.03.19 | Delcy Reis

Escrevo sobre a dupla de i’s que mais me pesaram no dia de hoje.

Passado mais um ano, onde a idade começa a ter que ser novamente pensada. Mas, não lhe dedico muito tempo, apenas no sentido de lhe poder dar ainda mais conteúdo, por mais um ano que já passou, mas principalmente pelo que vai passar.

Tive a feliz sorte de a celebrar na misticidade e sensualidade arábica.

No meio das areias do deserto, e de uma cidade que, apesar de poder ser superficial, tem uma mistura de excentricidade e mística com a qual me identifiquei.

Tive também a oportunidade de conhecer uma pequena amostra portuguesa, onde a saudade predomina pelos petiscos e pelo básico e concreto. Pela não flutuação, pelos valores simples da vida.

Uma cultura cordial, onde o cavalheirismo predomina, educação e saber estar.

Uma cidade com uma moldura de quadro, que toca o céu, só porque sim.

Uma cidade com um Burj Khalifa, que quase roça as nuvens do céu, onde a fonte, lá bem abaixo, de meia em meia hora nos presenteia com um espetáculo de luzes e água que lembra o mar, em terras tão áridas e inóspitas.

Uma cidade sobre a qual perdemos o fim de avenidas tão largas e tão retas, que se desenham por um terreno árido e deserto. Como se de uma placa de legos fosse pousada sobre um deserto, que ali perto de natural pouco tem.

O turismo e capitalismo predomina, russos asiáticos e britânicos quase que fazem parte do habitat.

Praias com parques de diversão em cima da areia, serpenteadas por dezenas de kitsurfers. E, neste cenário vanguardista vemos também elas, de negro, com um olhar profundo, eles, imperadores brancos, de passo largo.

Inveja pelo constante calor, pela organização, limpeza, prosperidade e bem estar. Elevados padrões de vida que, para os que lá habitam, não saceiam a ambição de outras dimensões da vida às quais aspiram.

E que encantadora e elegante forma de iniciar mais um novo ano, com cheiros de pau de santo, especiarias e tecidos flutuantes.

 

Dubai português

01.03.19 | Delcy Reis

Vim parar ao mundo Star Wars no meio do deserto.

E que mundo excêntrico é este, onde pequeno almoçamos num hotel, e as famílias também.

Temperatura bem mais amena que em Portugal, vanguardismo, limpeza e organização, são as palavras de hoje.

Caminhando pelas ruas da cidade, lembrei-me dos Hunger Games, pela excentricidade da cidade nos edifícios, e ao mesmo tempo falta de identidade.

Uma cidade pousada sobre areias do deserto, e onde a previsão meteorológica de hoje era: poeira.

E que bom ouvir a nossa língua mãe também por estas terras, onde a alegria é visível, a felicidade genuína se manifesta uma vez mais pelas recordações das origens que estão a cerca de oito mil kilometros.

As roupas, delas e deles, juntamente com os cânticos de Mesquita, são sem qualquer dúvida, detalhes de uma cultura que, sem perceber ainda bem porquê, me continua a fascinar.

Todos sorriem e são de uma delicadeza incrível.

Vertendo agora para a parte material, grandes edifícios, poderio da construção e petrolifero, assim como as principais marcas do ocidente ou América, são a sua chancelas de cultura na cidade.

Identifico correntes principalmente de Singapura, pela megalomania de construção e aparência, onde a imagem, apesar de artificial é também aqui, prática corrente.

E aqui andamos também à procura de relações “verdadeiras” e não superficiais. Aqui também existe esse problema, de não aceitarmos que somos um grão no deserto.

Aqui, para além dos edifícios, os trajes são também grandes, e cobrem a essência humana.

Eles, de branco, e com ar imperador.

Nelas, predomina o  vermelho e preto, olhar misterioso, e corpo talvez sedutor.

Uma réplica modernizada de Veneza, onde de meia em meia hora, todos somos agregados pela música, luz e o som tranquilo da água em movimentação, onde o verde da relva e o cheiro a mar, mesmo que desviado, aconchegam este deserto feito de cidade.