Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Infelizes os que não ousam e os que vivem na sua informação

31.07.18 | Delcy Reis

Reflexões do dia de hoje, onde foram percorridos seiscentos quilómetros.

Seiscentos  quilómetros que conheço muito bem, cada um deles que parece que fazem parte de mim, menos a árida zona de Aveiro, recentemente ardida, onde a vida surge, por cegonhas que pousam em ramificações de eucaliptos, cenário estranho, mas revitalizante, face ao negrume anterior.

Infelizes os que não buscam, os que não ousam. Da ousadia, nasce todo um mundo novo, do suspense, nascem todos novos pontinhos.

Tal, como para um astronauta, a visão da Terra e da sua imensidão, ou a simples descoberta do Universo, pode ser equiparável àqueles que se dedicam a aventurar, pela diversidade da vida, sinto-me a navegar neste momento por parte incerta.

E, quando nos fechamos à informação, quando nos fechamos àquela zona de conforto, capazes de acreditar somente naqueles que nos rodeiam, efectivamente seremos influenciados, pela média emocional das cinco pessoas mais próximas que nos podem rodear.

Somos um país de pessoas com egos grandes, que se procuram abrigar, e superar, por quererem provar que algo controlam na sua vida. Ou então sentirem esse poder de controlo, para lhes trazer uma maior paz de espírito. Pela competição, que adoro, pela comparação que em nada me fragiliza, porque respeito e adoro o meu caminho.

Somos um país em que todos nós precisamos de ouvir e de ser ouvidos, com experiências de vidas, algumas semelhantes, por atos de coragem, por desvios onde a confiança no nosso instinto prevaleceu, onde todos nós nos protegemos, primeiro individualmente, depois em casal, para quem pense dessa forma.

Um denominador comum, é o perigoso poder de manipulação. O tão badalado poder de persuasão e de liderança, onde a segurança que nos é transmitida por alguém, nos leva a confiar, a acreditar, mesmo que de gerações diferentes.

O poder de decisão que, cada um de nós tem é incrível e, as nossas atitudes, o risco que pisamos, por afirmações fortes que fazemos, por críticas fortes que sustentámos, por vezes acabam por não ajudar no objectivo que pretendemos alcançar. Manter aquela relação, e ser agradável.

Deixar uma imagem positiva.

Quando falo em viver na sua informação, refiro-me ao vivermos dentro das quatro linhas de delineamos como sendo razoáveis para termos a vida que sempre sonhámos.

Ruturas, fazem com que essas quatro linhas desapareçam e se construam as mesmas, ou outras, onde a área que delineam é maior ou menor, de acordo com a disponibilidade mental.

Pessoas, que procuram a paz em sítios comuns, e a força de espírito, sempre no desporto e no auto desafio, na sua auto confiança, no sentirem que são capazes de realizar.

Infelizes os que querem acreditar só naquela fonte de informação, e não procuram fazer o "dig in", para conhecerem outras perspetivas, que poderão, em certa medida ajudar na decisão a tomar.

A estratégia triangular das relações, quer para a busca de nova informação, quer para promover a disrupção é cada vez mais utilizada, onde a terceira pessoa é arbitrária e poderá desempenhar um papel de rutura, ou de coesão.

Efectivamente, reconheço o que será ser este terceiro peão, pela minha própria existência. E, pela minha própria existência assumo que, em termos de relações externas a gerir que não as minhas, estabelecidas de forma direta, sempre procurei sensibilizar para o entendimento, para a continuidade, onde era colocada nesse sentido.

Sinto que está na hora de fechar novamente portas, arrumar ideias, e de peão, passar a Rainha.

Estou a ousar, e a viver na informação do mundo.

E, agora entendo o poder da comunicação e das realções.

Entendo perfeitamente a ousadia das relações.

O medo de magoar não pode existir. Só pode e é legítimo que exista a ousadia de se deixar ser magoado, por maior informação que se tenha.

 

 

Aquele dito do " quem não se sente não é filho de boa gente"

30.07.18 | Delcy Reis

Recordei-me deste ditado hoje, pelo que tenho vindo a sentir e a tentar gerir, os denominados impulsos que nos fazem sentir coisas tão estranhas e por vezes antagónicas. Mas gerindo, já não sou filha de boa gente :) e não gerindo, poderá não ser consciente e apenas somente sentido.

Seguidamente, recordei-me da peça de teatro, no Teatro Aberto, "Boas Pessoas", com a grande Maria João Abreu, onde o rótulo, teria que ver certamente com as circunstâncias, com o tempo e com as pessoas em questão.

Poder-se-à falar que a diferenciação de classes sociais por vezes pode fazer crer que as boas pessoas e humildes serão as que pertencem a uma classe social inferior. Entendo, antes como as menos informadas, porque no fundo todos somos boas pessoas quando damos o que temos a alguém, sem pedir que nos ofereçam algo em troca.

Mas, sinto, sabendo que as minhas origens são boas em termos de princípios e valores, sobre o que estará certo ou errado.

Por vezes, não seguimos o caminho que seria esperado e aí talvez porque sintamos, que a tristeza é maior que a felicidade e porque não era aquele o plano inicialmente idealizado.

Porque víamos a vida não tão monótona, não tão sem cor.

E este sim, é o tal plural majestático :)

Este Verão, estou a sentir muitas coisas, muita transição, sem perceber bem para onde me leva, mas cada vez mais certa que já a previa sem a ver ao certo.

Este Verão, servirá para entender a pessoa que quero ser, e a pessoa que já sou, pelo que conquistei e pelo que quero conquistar.

No fundo, somos todos boas pessoas para as pessoas que queremos bem, e o querermos bem é sabermos dar aquilo que elas precisam em determinados momentos.

E não fecho esta dádiva aos mais próximos, mas aos que se encontram a passar por momentos de transição idênticos ao meu.

Fecho esta dádiva àqueles que, sem qualquer compromisso, apenas passaram pela minha vida, levaram e agora nada trazem. Não será certamente rancor, mas sim o tempo passado, onde as duas já não estarão no mesmo "frame".

Andamos aos trambolhões, completamente mecanizados pela nossa rotina, sem nos darmos, sem nos falarmos, sem nos conhecermos, e cruzamo-nos com tantas pessoas.

Achamo-nos senhoras(es) e sabedoras(es) de tudo, mas tudo está em constante mudança e o que julgamos ser uma verdade, como efémera, rapidamente se transforma, por uma  perspetiva completamente distinta.

E sim, tudo depende das experiências que temos e com quem partilhamos os momentos que vamos vivendo e de que forma essa partilha existe, em que medida nos encontramos disponíveis para a fazer.

E terá que ser sempre com um enorme sorriso. Com um enorme sorriso na cara.

Recordo-me que recentemente passei um ano, sem idealizar quaisquer projectos, o que me fez confusão, pelas 12 passas que comi e, em nenhuma delas tive qualquer sonho ou desejo.

E o engraçado, é que conquistei pequenas alegrias e tão saborosas que foram, que não me quero esquecer delas, nem romper com as mesmas.

É dificil acreditar que existem boas pessoas, quando sentimos que estamos rodeados por vezes, daquelas que só nos querem fazer mal.

Mas, este Verão parece que me quer mostrar novamente que elas existem.

Agora, será ter a esperança e força para acreditar que elas pertencem à minha verdade, ou à verdade dos dias de hoje, que de constante nada tem.

Podemos reger a nossa vida com objectivos, ou com sentimentos, sendo duas abordagens no meu entender diferentes, mas quando conjugadas de uma forma que nos faça sentido, podem ajudar  a que consigamos finalmente idealizar um caminho.

Sempre rodeados das boas pessoas.

Obrigada Verão, pelo Corneto de Nata.

Obrigada Verão, pelo cachorro ao por do sol.

Obrigada, boas pessoas que se cruzaram comigo este Verão, umas no Brasil, outras no Algarve.

Uma estrangeira em terras do sul

28.07.18 | Delcy Reis

É verdade apesar de pertencer ao meu país, venho de terras diferentes com uma origem já muito deixada para lá para trás.

E o que é que caracteriza uma "estrangeira" em terras que não são suas?

É certamente o sentimento de risco, e o sentimento de busca.

É certamente o constante alterar de rotinas e de meios e de pessoas com quem interajo.

Ao longo dos textos que tenho vindo a escrever, reforço que busco um porto de abrigo, busco alguma protecção, não só provocada por mim.

Tenho vindo a aprender a ter essa vida, dual de me proteger e poucas e raras vezes ser protegida.

E, de tantos embates, de tantos cruzamentos, refugio-me efectivamente naquilo em que confio  e que me protege e que, de certa forma, poderá trazer algum bem estar.

Que, na prática é o que todos fazemos, sendo ou não "estrangeiros".

Contudo, é mais fácil para os que têm o seu meio, o seu enquadramento perto, à distancia de meia hora, ou de um simples almoço.

Das pessoas que me lêem, muitas vezes me perguntam o que é isso do porto de abrigo?

Francamente, nem eu sei responder, mas em tempos pensava que seria ter alguém em quem confiar tudo o que me iria na alma, que certamente me iria sempre acompanhar e entender.

Senti o primeiro embate, quando "emigrei" para o sul, quando me tive que adpatar a um meio bem mais cosmopolita do que aquele de onde vinha, com multidões, com trânsito, com rapidez, com velocidade, com impessoalidade.

Sinto, esse mesmo embate, de cada vez que regresso e fui buscar o sotaque das minhas origens. Não esquecido, menos praticado.

Agora, necessito dessa pessoalidade, que vejo que não existe.

E, vendo que não existe, parto para o radicalismo absoluto, onde aceitando a evolução da vida dos que me rodeiam, opto por quebrar com a minha. Numa volta não de 360 graus, porque iria dar ao mesmo sítio, mas a 180 graus.

Aproveito, o globo terrestre, que é uma esfera, para poder dar essa volta e acrescentar mais um pontinho, que poderá ser gigante, no meu caminho. 

Mas, a sensação de constantemente me sentir diferente, pela "cruzeta", pelo "impecável", e pelo "bora lá", estupidamente acaba por me conter, o que significaria ser um camaleão e desprezar a minha essência.

E é essa essência que faz com que, me aproxime mais de umas pessoas do que de outras, que acredite mais em determinadas pessoas, que me identifique mais em determinadas pessoas. Julgo.

Só que, a avaliação que é feita, pelos que naturalmente não me conhecem, é uma avaliação superficial, maioritariamente agarrada ao que desenvolvo na minha vida adulta e não ao desenho animado que porventura posso vir a ser.

Neste estrangeirismo, podemos acrescentar o ingrediente de pessoa com carácter forte, do género feminino que, à partida, para qualquer relação inter-pessoal a surgir poderá ser intimidante. Que pena que assim seja visto.

Aprendi a gostar da cidade onde vivo, tão próxima de um mar infinito e tão cerca de um rio que se une por duas pontes. Quente e arábica.

Não pretendo com este txto apelar a qualquer sentimento de regionalização, se bem que em termos políticos sinto que essa volta se encontra a ser dada, que a  crença numa união europeia, esteja a ser destruída por interesses culturais e económicos de cada país. 

Convenhamos que, muitas foram as críticas apontadas a lideres como Hilter, ou mesmo Salazar, contudo vendo a capacidade de manipulação dos mesmos de massas, e de liderança inigualáveis, devermos ponderar efectivamente a democracia em que vivemos e o papel que cada órgão formalizado desempenha, na nossa sociedade, e que prisão poderá existir, apesar da tão proclamada liberdade que, novamente na minha opinião acaba por ser claramente condicionada.

Não vejo coerência, quer nas ideologias políticas, quer nas micro organizações ou comunidades que me rodeio.

Apenas vejo pessoas, diferentes, que ao serem totalmente transparentes não correspondem à imagem que pretendem passar.

Sei que a Delcy, será sempre coerente e uma companhia, dentro desta inconstância que é a viagem.

A tua vida parece um desenho animado

28.07.18 | Delcy Reis

Do tempo que tenho tido a oportundiade de viver recentemente, aproveito para reatar relações anteriormente esquecidas, ou menos alimentadas, sempre desculpáveis por uma prioridade que sempre se impnha a tudo o resto. A carreira, e o desenvolvimento pessoal.

Agora, tenho tido esta oportunidade, que venho a abraçar de braços e coração.

E, nestes tempos de reflexão e transição, procurando aceitar que estamos sempre em mudança e os anteriores aconselhamentos/protecções familiares já nada se enquadram nos dias de hoje, tenho vindo a viver este Verão, novamente de uma forma talvez demasiadamente intensa e revigorante.

Entendo que seja pelo sol e pelo mar, que tão perto estão e tanta energia boa me dão.

Recentemente, numa conversa multi-temática, onde partilhei a minha confusão com a vida, e com a instabilidade da mesma, comentaram " a tua vida, parece um desenho animado".

Confesso que me retive a estas palavras que adorei, e resolvi escrever sobre as mesmas hoje.

Sim, reconheço que, efectivamente a minha vida ultimamente procuro encará-la como se de um desenho animado se tratasse, talvez pelas cores, pelo irreal que me tem vindo a demonstrar ser mas, acima de tudo , porque os bonecos felizes, têm boas cores, e os sisudos, são pretos e cinzentos e, de boas cores têm muito pouco.

Sim, procuro encarar a vida como um desenho animado, onde os emojicons são cada vez mais a demonstraçao de emoções e não as que supostamente deveriam ser, como o toque, o abraço.

Por vezes, julgo que todos nós, de forma honesta nos sentimos atualizados, sem querer. Ou porque tem que ser, despegando-nos do que veio até então a ser construido.

Acredito que tenha a ver com o  entusiasmo com que partilho, episódios tão pequenos mas que me provam que não controlamos nada na vida, e a forma caricata com que os procuro encarar por, na maior parte das vezes, não resultarem naquilo que pretendia para a a minha vida. 

Mas, nada poderá ser forçado e, se não estamos no mesmo tempo, se não estamos todos a ver a essência da mesma forma, teremos que, mais uma vez fazer aquilo que mais que custa que é, saber esperar para que o momento apareça e se concretize.

Talvez, seja pelo brilho no olho, entusiasmo e acreditação que coloco naquele momento, pela expectativa que dali irá surgir uma história que poderá ter alguma continuidade.

Poderia certamente não me expor, verbalizando estas emoções, poderia  não partilhar, e não viver da forma que o vivo mas, se o fizer, não entendo então o que possa andar neste mundo a fazer.

Talvez, até à bem pouco tempo, não encarava a vida desta forma, levando-a demasiada preta, em luta constante em todas as frentes da minha vida. 

Agora, que pintei o corpo de azul, roxo e verde, serão estas as três cores que vão alimentar os próximos anos e encher os mesmos de vida e de energia.

São estas, as cores escolhidas para poderem pintar o meu desenho. 

E que este, seja sempre animado, e que vocês sejam algumas das personagens a manter.

 

 

FRIDA KALO

18.07.18 | Delcy Reis

Não tive a oportundade de ver a sua exposição.

Mas tive a oportunidade de ver o filme da sua história. E que história de vida magnífica, e que mulher magnífica.

Mulher intensa, pelas cores, e pela rebeldia de levar a vida da sua forma: alegre, intensa, e da sua forma.

Desde a determinação com que recuperou do acidente que teve quando era mais jovem, até à capacidade de começar a andar.

Uma mulher que pelas suas emoções conquistou o mundo, pela forma como as conseguia transmitir, com uma clarividência e cores vivas incomparáveis.

Contra o que era suposto ser, e com a sua genuína rebeldia, encarou a sua vida pessoal de uma forma que me é muito identificável.

Contra o que era suposto ser, posou para uma fotografia de família vestida de homem.

Quando se apaixonou, perdidamente, casou com um homem a quem não exigiu fidelidade, apenas lealdade.

Curiosa a diferenciação, entre duas palavras que para muitos de nós poderão ter uma fronteira muito ténue.

Seguiu a sua aventura, e felicidade criando uma forma de estar particular e inovadora para a altura.

Sendo casada, ao primeiro momento de infidelidade, reagiu como uma mulher forte e corajosa, atrevida pela provocação, certamente para fazer sentir do lado oposto, o amargo sabor da infidelidade.

Mas, acreditando no amor que sentia por Diego Riviera, e sabendo à partida não ser crente do casamento, por todo o ciume que nele poderia emergir, acreditou e foi fiel ao que sabia que ia ter: alguém que lhe era leal e não propriamente fiel.

Acreditou e viajou com o seu marido para Nova Iorque, para uma das grandes pinturas que o Rockefeller poderia ter tido, não fossem as tensões políticias e familiares imporem outro fim para a grande parede de entrada deste edifício.

Sentiu o que era viver rodeada de ideias políticos com os quais não se identificava, sempre transparecendo isso para as suas pinturas.

Sentiu o que era estar no meio de um habitat que não era o seu por natureza.

Regressando às suas origens, tendo liderado essa mudança o seu marido sofre uma grande depressão de fracasso e falta de criatividade. 

Encontra a sua irmã, separada do marido, tendo sido alvo de violência física que, ao aproximar-se de Diego, um homem capaz de " ver todas as imperfeições de uma mulher, como algo perfeito e que, por isso, não conseguia ser fiel", foi apoderada.

Este envolvimento, ingénuamente promovido por Frida foi o maior afastamento entre duas pessoas que se adoravam.

Frida, promove uma mudança de aparência, de estilo em busca de uma nova Frida. Acolhe, por amor aos seus ideiais e ao seu país um refugiado político, com quem se envolve.

Aqui, profere a meu entender uma das frases mais impactantes, " foste meu companheiro, meu amigo, meu camarada, mas nunca foste meu marido".

Fugiu para França onde se sentiu um mero objeto da sociedade, ávida por comunicar a diferença de estilo e de aparência que provocou no meio, como uma influência futura.

Gostou da experiência, mas reconheceu que o seu coraç\ao não pertencia àquele sitio. 

A separação, acontece por tensões políticas. Após isso, regressam todas as dificuldades motoras do primeiro acidente que teve. O primeiro acidente desmorona, juntamente com o segundo: o casamento.

Mas, sendo um laço tão forte entre duas pessoas que, não crentes no casamento e plenamente conscientes do que poderia significar, mesmo assim avançaram e voltaram a ficar oficialmente casados. Partilhando uma vida durante 25 anos, com a perda de uma criança, e as dores de um corpo que nunca recuperou.

Nunca deixando de criar, de pintar, de sorrir e celebrar a vida.

Na sua última exposição, já sem qualquer mobilidade, fez questão de levar a sua cama e ir deitada nela, para celebrar a sua exposição no seu pais, onde escreve como despedida, que espera que a entrada seja juvial, e que não possa regressar.

Vida, como a de todos. nós de constante sofrimento, onde o escape era a pintura. E tão bem que transmitiu. E tão bem que pintou e marcou a diferença, na vida de tantas pessoas.

Os dois prometeram de início serem apenas camaradas, e acabaram casados. Os dois partilharam um caminho comum. E mesmo afastados, mesmo com relaç\oes extra conjugais, sabiam que as mesmas nada significavam.

 

Um filme digno de ver, pela história, pelo grafismo, pela beleza de Frida e pelas cores quentes misturadas com a música dramática do México, assim como com a sua cultura própria.

 

 

 

 

Sentir

17.07.18 | Delcy Reis

Todos andamos \á procura daqueles momentos que sabemos que nos fazem bem. 

E, o mais corajoso é descobrirmos os mesmos, quando estamos sozinhos.

Ontem, num novo regresso da cidade, percorrendo o mar, que me acompanha até ao destino que me conforta a mão afagou o vento.

Ou então o vento afagou-me a mim.

Adoro estes finais de tarde, onde a luz se põe tarde e se sente o vento quente, com cheiro a mar misturado com erva seca.

Pus a mão, para o sentir, e sentir a nova lufada de ar que entrou, agitou os meus cabelos e bateu no meu peito.

A força é reconquistada com pequenas coisas.

Gosto de sentir que não estou no que é suposto ser, e que os eventos importantes, a acontecerem aconteçam ao meu ritmo.

Somos sempre desiludidos com os que nos rodeiam, somos sempre afagados por aqueles que nutrem laços muito fortes por nós.

Acabamos por recorrer uns aos outros, para nos apoiarmos e verbalizarmos a certeza e segurança em que estamos na fase de vida em que nos encontramos.

Verbalizarmos emoções, torna a nossa exposição emocional maior, mas não  escolhemos os sentimentos positivos que podemos sentir. E neste momento, não tenho que os controlar.

Neste momento, não tenho porque o fazer, e essa sensação de liberdade é indescritível. Perigosa, mas indescritível.

E vocês, onde vão buscar a paz, para poderem equilibrar com o vosso dia a dia ?

IMG-1101.JPG

 

Quando o amor tem que ser bom.

16.07.18 | Delcy Reis

Não acreditava em qualquer dimensão espitirual, que me pudesse reconfortar.

Mas também digo que há coincidências tão fortes, que dificilmente são ignoradas.

Adoro o mar, pelo seu infinito, pela tranquilidade que me transmite, e pelo cheiro que, em determinadas zonas da linha de Lisboa, me recorda os meus tempos de infância.

Descansei o corpo, restabelecido e com sentimento de capacidade, com uma ótima banda sonora de fundo.

Crianças a brincarem perto, com algas e nos tradicionais e já conhecidos castelos de Areia.

A avó mimi, entretida, com a rebeldia dos mesmos, mas posteriormente e, mediante olhares mais agressivos de outras pessoas que se encontravam na praia, acaba por reprimir os netos dizendo que, achava piada, mas que não estavam a fazer as coisas bem.

Whatever that message means, deve ser uma confusão de critério, pelo menos para mim, que ao ter vivências que me obrigam a ter que ver o bom em episódios que de felizes não têm nada, geram uma baralhação de seleção de pessoas/ meios, que prefiro nem refletir muito.

E é também aqui que reforço o que hoje ouvi, e que me fez rir, que o amor tem que ser bom.

De que forma ele apareça, tem sempre que ser visto como algo de bom.

Sentei-me na esplanda, uma vez mais a contemplar quem fica com todos os meus segredos, e pedi um café e uma água das pedras. Aquela combinação que, emocional ou genéticamente me veio parar às mãos e à vida.

Tive o hábito, costume respeito de perguntar ao empregado se tinha mesa disponível, prática a qual vos confesso que me tinha desabituado, pela intensidade da vida, falta de tempo e gestão do mesmo, da forma mesmo mais eficiente possível. 

E, bom com esta gestão de tempo de forma tão eficiente, perdem-se muitas coisas. E desta vez, ganhei este detalhe.

O empregado pergunta-me o que quero beber.

Respondo: "Um café e uma água das pedras"

Erraram. E, normalmente ao erro, procuro responder sempre com um sorriso. Faço esse esforço. Mal recebido o esforço, pensei eu. Mas posteriormente, entendi que não tinha sido a minha atitude que tinha agravado a falta de cuidado, ao satisfazer o pedido e atirar a garrafa de água para a mesa. 

Perguntei: " Quanto é?"

Resposta ( muito mal encarada e com um desapego total): " Depois paga lá dentro".

Continuei a falar com ele, naquela relação que já é só nossa e que aos dois faz tão bem, porque eu liberto, ele leva na onda para bem longe, para o infinito e essa onda, traz vento, maresia e uns salpicos salgados.

Estando mais sensível ao trato do dono do bar, poderia simplesmente retribuir a mesma simpatia pelo não pagamento pelo serviço prestado. 

Também já aprendi que, essa frequência, a mim nada me faz bem e não estando nela, tanto melhor.

Levantei-me para o pagamento na caixa e, lá estava o dono, novamente bastante mal encarado.

Referi, a intenção de pagamento e, enquanto o efetuava o mesmo dizia: " Sr. João, não se esqueça que o amor é bom". Ao que respondi, em tom de graça " tem que ser bom" e ele refere, não tem que ser, na sua génese é, senão é porque não é de amor que estamos a falar.

E fez-me lembrar uma recente leitura, onde esta poalavra era difamada para todo o tipo de relações, sejam pessoais, profissionais, onde a partilha deverá existir.

Não concordo, de todo. Sou do mundo, quando o mundo é também meu.

Danço a dança de quem quer dançar comigo, e reconheço que não tenho tempo e disponibilidade para dançar, com a mesma intensidade, a mesma vontade, a mesma paixão, com o mundo.

Apenas com uma pequena parte do globo, que me dê algo em troca. Paz, por um lado, e no outro, aprendizagem, crescimento intelectual, bem estar.

Estamos a ir em busca.

OHHHHH NOS ALIVE

15.07.18 | Delcy Reis

Podendo parecer crítica, digamos que, contrariamente a isso, esta minha partilha de opinião surge pelo simples facto de este ano não ter ido, e apreceber-me da mensagem que as massas podem transmitir para quem está fora, sem ser pelos meus de comunicação " comuns".

Primeiro, vemos os amigos, parecendo numa espécie de competitividade a perguntar, quem vai e quem é que não vai, não se percebendo muitas vezes qual é o intuito: saber que vamos, encontrarmo-nos, cantarmos uma música, ou simplesmente desafiar.

E, muitas vezes, com essa partilha, ficamos a saber quem vai, não nos vemos, e andámos desesperados a ligar para perceber quem vai onde nos encontramos: perto da casa de banho, à entrada, aqui mais ou menos ao meio da plateia :)

 

Engraçado que, por defeito, anteriormente olhava sempre para os eventos a estar com os amigos como uma oportunidade, e tornava-me sempre flexível para poder estar com os mesmos.

Mas, as rotinas mudam, e as vidas também. E as pessoas também, principalmente para não se magoarem e gerirem o seu compromisso de uma forma saudável. Pelo menos e neste caso somente para mim.

Hoje, reconheço que, a prática no whatsup da criação de grupos para nos encontrarmos, assim como da partilha constante nas redes sociais, é uma boa estratégia quando nos aventuramos a ir " sozinhos" a um festival.

Sim, escrevo " sozinhos", porque estamos rodeados de pessoas, portanto não estamos propriamente sozinhos.

A primeira estratégia, nem sempre funciona, continuo a achar que uma chamada marca toda a diferença, mas por vezes parece que dou por mim com receio de a fazer, a um amigo. Que é uma estupidez, mas o cérebro tem destes eventos, rotinas e hábitos que são cortados, ou que porque recentemente nos fizeram menos bem, simplesmente ignoramos.

Ou então, é constatarmos que já não temos tanta força, para mover o grupo a quem nos apegámos, sem ser por um evento que marque, e não simplesmente para estarmos e recordarmos aquilo que já passamos.

Mas, voltando à temática Nos Alive. Hoje, após o dia de ontem, voltei a ver o fenómeno da partilha tecnológica numa das principais bandas de rock, os Pearl Jam, que me recordo de ter visto noutros festivais em Portugal, onde efectivamente me abraçava aos que me rodeavam e cantava, até ficar rouca.

Hoje, partilhamos no instagram e no facebook.

É verdade, que a uma escala talvez menor, mas a caminhar para, o Alive começou por ser um festival na sua génese, de música, e está a passar para, no meu entender um evento social, onde não se vai ver música, ver um concerto. 

Largo é o número de pessoas, que filmou e partilhou em redes sociais, tornando-o tão diferente do seu cruo original.

Espero que tenham cantado e tenham tido a oportunidade de ter, alguém conhecido e de confiança com quem pudessem brincar, com quem pudessem cantar.

Espero que, todas as músicas recordavas e cantadas por todos vos tenham trazido recordações de momentos e de pessoas que vos fizeram bem. Julgo que tenha sido por isso que também optei por não ir; apesar de reconhecer que são uma grande banda e que as letras e músicas são boas.

Reforço que, o legacy deixado por Pearl Jam é incrível, mas a criatividade já não será muita, e na fase de carreira em que se encontram, julgo que se impunha um novo álbum, com novidade e criatividade.

Por favor, comunicação social, não nos esqueçamos de grandes músicos portugueses que também estiveram no mesmo recinto, como Gift, Branko e Orelha Negra, com boas "vibes", talvez um espectáculo que não tenha tido tanta grandiosidade, mas que certamente para lá caminham.

 Apesar de as horas serem menos próprias para consumo, para pessoas que tenham compromissos laborais até horas tardias, Franz Ferdinand e Jack White, assim como QOSA continuam a brilhar com a sua intesidade e rock&roll.

Repito, da minha parte, como outsider, foram as ondas de som que vieram para este lado e, talvez de estar de costas viradas para Pearl Jam, que me refugio no prestigio de outros musicos/ bandas que não foram afetados por este "virus".

 

Eddie é um grande músico, mas já com pouca vontade de criar.

Agora, para mim é estrnaho, misturar uma Lao Ra, com Jack White, Franz Ferdinand e Alice in Chains.

 

Mas a diversidade impõe-se, sempre.

 

 

 

Quando um estranho nos pergunta se está tudo bem

11.07.18 | Delcy Reis

Este texto, surge, do comentário que recebi, de alguém que gosta de acompanhar o que escrevo.

Criei esta página com o intuito de partilhar, um dos gostos que tenho na vida, que é divagar sobre temas, eventos, circunstãncias que ocorrem na vida de qualquer um, e que merecem ser partilhados.

Associo, a este comentário, um comentário idêntico que tive na rua.

Tinha acabado de ler um livro que me acompanha de um escritor que aprecio, chamado Miguel Esteves Cardoso.

Naquele dia em específico sentia-me com força, talvez por trazer comigo uma cor intensa e que, questões clubisticas à parte, me reforça. O vermelho, pelo quente, pelo intenso que associo.

Sei que estava radiante, modéstia à parte e isso transmitiu-me toda a confiança, para o novo ponto no caminho que estava a traçar.

Enquanto caminhava, para o carro, para deixar o livro de companhia, fui abordada por Roberto.

Roberto, parecia ser brasileiro, quer de aparência, quer posteriormente de sotaque.

Roberto, também me perguntou, se estava tudo bem. A resposta imediata que tive, no momento foi, " até agora sim". 

E, ofensas à parte, mais honesta não poderia ser, porque efectivamente, até àquele preciso momento, referindo-me àquele dia, as coisas efectivamente estavam a correr de acordo com o planeado.

insistiu, e perguntou o livro que estava a ler, se tinha a ver com consciência. 

Confesso que, sorri e lhe expliquei que não, que não tinha, sendo que a resposta que obtive já foi em Inglês.

Rapaz moreno, com ar de praia, que me explicou que trabalhava por ali, que me tinha visto e que, se fosse recorrente a minha passagem por aquelas bandas, ele trabalhava naquele café. 

Sorri, disse que tinha um compromisso e segui viagem.

Sobre o comentário que recebi, pelo não controlo total sobre a minha vida, sentindo que ela por vezes me prega partidas duras de suportar e encarar, entendo que possa transmitir muita coisa o texto que escrevi.

Posso entender o comentário de várias formas, sendo que uma delas é feliz e outra infeliz, mas tudo dependerá de quem se encontra do outro lado assim como na crença que ultimamente tenho tido na humanidade.

De qualquer das formas, humanidade à parte, é sempre uma oportunidade e forma de abordar alguém sobre quem temos curiosidade de saber o que se passa. O ponto importante, nesta curiosidade, é certamente se existe objectivo ou é meramente uma curiosidade, daquelas crueis que, inevitavelmente não nos ajudam a nós, mas sim ao ego da outra pessoa, pela tal comparação que é feita.

Estou numa fase em que, aquelas pessoas que efectivamente têm curiosidade em saber se está tudo bem, efectivamente irão falar comigo e ter oportunidade de estar comigo, bastante tempo e bastantes horas.

Aquelas que recentemente me magoaram,  porque as vivi de forma muito intensa, essas vão ter que esperar que esteja preparada para poder voltar a lidar novamente com elas.

Porque, nas relações, tudo tem que ver com ego, insegurança, espaço e se queremos dançar com quem naquele momento nos aproximamos.

E mesmo querendo saber se está tudo bem, acho que nunca, genuinamente está tudo bem. Analisando e escrutinando, há sempre alguma imperfeição naquele momento.

Mediante as prioridades e aquilo que valorizamos na nossa vida, em determinado momento, podemos achar que está ou não está, apesar de darmos a resposta fácil do, está tudo bem obrigada, e contigo?

E estas, conversas superficiais, sem qualquer objectivo, emoção boa por tras, neste momento são-me completamente dispensáveis.

Em tempos não o foram, mas neste momento são. Porque todos erramos, e todos não nos conseguimos controlar emocionalmente, mas devemos reconhecer esse comportamento, para que a emoção boa por trás exista.

Portanto, a ti que me perguntas se está tudo bem, por favor pensa. Se genuinamente estás preocupado, sabes como me encontrar para me reconfortar e ajudar.

Se não for para isso, não perguntes, porque a resposta automática, e superficial será sempre, sim, está tudo bem, e consigo?

A vida a brincar com os meus sentimentos

10.07.18 | Delcy Reis

Era muito céptica em relação a essa onda espriritual positiva, que defende que pensando em coisas positivas elas acabam por acontecer.

Era muito céptica sobre a verbalização dos meus sentimentos e que, alguém faria com que houvesse de alguma forma um alinhamento.

E, de forma engraçada hoje aconteceu.

Eu, que mais uma vez, dedico a minha a vida a poder controlar todas as variáveis que posso dominar.

Eu sei que podemos ir pela lógica matemática de saber que, as rotinas e os hábitos das pessoas, enquadrados numa determinada comunidade faz com que eventualmente os caminhos se cruzem.

A vida hoje brincou com os meus sentimentos e emoções.

Brincou porque, alguém com quem estive e que pertenceu a um passado já bem longe, e que está na minha redondeza almoçou comigo. 

E deste almoço, o que pude recolher é que tudo muda, e nós vamos ao sabor da vida.

Reconfortou, por saber que fiz parte e que, mesmo passado tantos anos, ainda continuo a fazer. 

E supostamente, pelas regras da sociedade, não deveria ter tido este almoço. 

Porque foi abrir uma porta, que há muito tinha sido fechada.

E, na altura quando eu a fechei, fiquei com a sensação que tinha falhado, que era um erro.

E hoje, percebi que não. Percebi que não era de todo para acontecer, e que efectivamente o caminho que fazemos é mesmo única e simplesmente delineado por nós.

Pode ter uma pitada da nossa adolescência, da nossa juventudo, que devemos ignorar, porque já não se enquadra nos dias de hoje.

A vida, hoje brincou com as minhas emoções. 

E não foi planeado, nem pensado, nem sequer colocado em hipótese.

Qual a razão lógica, para eventuais desafios emocionais nos serem colocados na altura em que talvez mais precisemos deles?

Foi voltar a recordar, foi voltar a reviver, e que mágoa tão grande pelo inconcreto e ser apenas uma recordação.

E o mais curioso, é que poderia ser eventualmente premeditado.

O Universo quer, e só temos é que aceitar. 

O que eu queria, e tive mas com maior esforço, era um reconforto espitirual, para o meu corpo e mente.

O que o Universo me deu, foi tormento e por-me o corpo a tremer, para eventualmente ter uma necessidade ainda maior de relaxar.

Quando queremos fechar, e seguir em frente, livres de espírito, voltamos a ficar agarrados.

Quando nos abrigamos nos outros, para justificar aquilo que sentimos, estamos a procurar controlar efectivamente alguma coisa que nos move cá dentro.

Porque temos medo de sair da nossa zona de conforto, e arriscar.

Quando, não podemos ser vistos com alguém, por aquilo que as outras pessoas possam pensar, não estamos em primeira instância a ser honestos com o nosso eu.

Estamos a argumentar essa preocupação porque, na realidade, a intenção e o que nos move vai contra a vida que construimos e os compromissos assumidos.

E, não retiro qualquer validade a esses compromissos, nem valor, não sou eu que os julgo porque desconheço a intensidade dos mesmos, porque o tempo desses sim posso julgar.

Dificil, aceitar que os caminhos são diferentes, quando vemos e nos apercebemos que, na realidade a vontade e a curiosidade ainda existem.

Aqui, a lógica é efectivamente a regra imposta pela sociedade, pelas inseguranças de cada um, que se sobrepõe a tudo o resto.

Aquilo que somos suposto ser, numa determinada idade, que somos suposto ter numa determinada fase da nossa vida, quando comparável com as pessoas da nossa geração.

É verdade que estamos integrados numa socidedade mas, sou da opinião que não devemos deixar que esta molde e tolde a nossa caminhada.

Porque ora nos podemos ancorar na geração, ora nos podemos ancorar nas pessoas com quem trabalhamos, independentemente da idade, e do que já alcançaram.

E hoje, o que vivi, foi a prova disso.

Os caminhos voltaram a cruzar-se, e para mim foi dificil respeitar qualquer regra, qualquer vontade.

Mas, acima de tudo respeitei. Não a mim, mas o Universo. 

Fui em busca de paz, e veio o tormento.

Voltámos aos corações gigantes, que se abrem a quem eventualmente, não os quer ver.

Volta a fechar.

Pág. 1/2