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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Eutanásia

31.05.18 | Delcy Reis

Tema polémico e bastante atual.

Proposta colocada a discussão e voto num país democrático, onde apenas 5 votos, por razões  distintas fizeram com que fosse chumbada a sua despenalização.

Opiniões divergentes, ora individuais ora partidária, onde a direita assume uma posição mais conservadora, e talvez a razão pela qual o tema venha para discussão nao seja humano, mas sim  de carácter meramente económico. Contudo, não deixemos de acreditar na sua causa social.

Concordo que, o resultado manifesta a característica especial do nosso povo, da nossa cultura: a despedida, a saudade, o sentimento bastante presente, em decisões difíceis de tomar, não havendo, na grande maioria dos casos um sentido  prático e presente,  da agonia, angustia e sofrimento que tal vida traz, para ambas as partes, onde a razão aparente é de Estado, e de direito de vida.

 

A história da relação, para os mais próximos pode certamente pesar, e a perda daquele corpo, sempre difícil de suportar. Mas, entendo que não é  aquela existência física que torna a relação feliz e presente, mas sim tudo o que foi anteriormente vivido e partilhado.

Contudo, nós portugueses, gostamos de manter as relações das pessoas que nos fazem sentido, e sustentamos a nossa forma de estar e de ser nessas mesmas pessoas.

Mas infelizmente, não nos suportamos só  nisso, mas no tempo que dedicamos, no tempo que despendemos, sem o qualificar como sendo bom ou mau, e se faz sentido manter. Deixamos simplesmente a maquina continuar a rolar, da mesma forma que sempre rolou. E dado que vencemos ate entao, nada temos que melhorar, para vencermos mais e melhor e de forma mais eficiente.

O direito daquela vida, nao lhe está  a ser retirado, acreditando que a mesma não se encontra em juízo de tomar tal decisão, mas sim a ser aceite pela mesma ou por alguém próximo a quem foi delegada a dita consciência.

 

O egoísmo, o sentimento de pertença  e de existência, a necessidade de nao perder algo, concreto, o medo de ser confrontado com a morte. Tudo legitimo e extremamente difícil de gerir.

 

 

 

 

Maria bolacha.

27.05.18 | Delcy Reis

Recordações.

Talvez, olhando para o titulo, das primeiras coisas que nos podemos lembrar é das bolachas Maria, bolacha que me acompanhou na minha meninice.

Mas não, hoje recordo onde me diverti quando era mais jovem, numa das visitas ao sul de Portugal.

Foi numa das viagens de adolescência, onde também e ainda a adrenalina de descobrir corria nas minhas veias, fomos ao Maria Bolacha. 

Hoje, descobri que estava fechado, numa das passeatas de domingo com o meu buddy.

Era a combinação perfeita, com uma praia que ainda hoje é fantástica.

Recordo as musicas, recordo a alegria por descobrir o novo, David Guetta, Britney Spears, Kelly e outros

Reconheço que as exigencias de hoje em dia, para manter um local desta dimensão aberto, onde o pico de cliente será no Verão, são imensas e incomportáveis, e este encerramento certamente nao retira as recordações que tenho do local. Mas retira juventude àquela zona, e principalmente tudo o que de bom isso traz.

Desconheço a sazonalidade da zona mas, entendo que os jovens, nos dias de hoje tenham mais oferta em Lisboa e, que no Verão nao seja a zona com maior frequência, mas francamente desconheço.

Tenho vindo a explorar este lado de Lisboa, que me traz novas pessoas, novos cheiros e novos ventos.

Este lado, também vai ficar recordado.

Pareço uma dinossaura, que foi à praia grande à procura das suas pegadas que também la existem com 110 a 115 milhões de anos.

Talvez seja por isso que é chamada de praia grande, porque é grande pelas recordações que me dá, e grande para em tempos, ter sido pisada por seres tão grandes.

A praia, para mim é grande, porque me voltou a encher o coração e a aquecer a pele de lagarta.

 

 

Onde há vida há esperança

21.05.18 | Delcy Reis

Quando era mais nova, as gerações mais adultas repetiam muitas vezes esta frase.

Na altura, nao compreendia, por respeito de experiência de vida, de serem os meus pais, avós, tios, entendia que seria certamente verdade mas, nunca lhe dei a devida importância.

Não entendia o porquê, qual o significado.

E, de facto, para quem leva no seu dia a dia uma vida extremamente solitária, onde apenas as tecnologias ainda assim nos fazem companhia, efectivamente, onde há vida, há esperança e luz.

E essa energia é importante, para caminharmos.

As tecnologias, sim são uma componente que tem contribuido bastante para a evolução dos dias de hoje mas, não podem ser tudo.

Onde existem colectividades, de que natureza forem, mas com as quais nos identifiquemos, as mesmas podem encher os nossos corações.

Mas, não misturemos.

Procuremos a esperança, onde a podemos oferecer, sem nada em troca. Sem qualquer contrapartida material, senão as dimensões misturam-se todas.

 

Juntem-se a pessoas. Toquem, falem, sorriam.

Porque, onde existem seres vivos, existe luz e esperança, e foi essa a força que uma inspiração coletiva me trouxe.

Uma inspiração coletiva que me recordou as minhas origens, que me mostrou que o capitalismo chega às comunidades locais do meu país, e traz sorrisos mesmo que não seja por uma instituição de solidariedade.

Pessoas diferentes, muito diferentes.

 

O amor é outra coisa. O amor é fodido.

14.05.18 | Delcy Reis

Título vago, mas ao mesmo tempo intenso.

Pela minha experiência de vida, de relações inter pessoais, busco na leitura o esclarecimento sobre o que é esta palavra, tao grande mas que por vezes tem que ser tão pequenina e tão subjectiva.

Correndo  um risco muito sério, a comparação que faço é de leituras superficiais com uma leitura bem mais profunda. 

Apenas porque o título chamou por mim, independentemente do autor.

Apenas porque acredito que, das várias edificações acerca do amor, criadas por MRP,  PCF ou mesmo MEC, as mesmas vem de afirmações e de uma escrita superficial, para algo arriscado por um lado, prolongado e bem mais profundo. 

Digamos que, Margarida conta um conto, à volta do amor. Criação de fantasia com realidade, carnal com imaginativo e defende à partida que a dependência emocional não deverá existir, apenas um sonho, que pode ser concretizado pela sensualidade, prazer e desejo de duas pesssoas estarem juntas, apenas agarradas. Sentirem-se. Tão simples como isto. Estarem e sentirem. 

MRP, foi das primeiras autoras que li, quando começava a trabalhar na minha identidade e procurava perceber, numa escala mais pequena, o nosso mundo. 

Escrita simples mas que na adolescência fez sentido. 

Numa outra altura da minha vida, abracei, por outros motivos, o tão criticado PCF que, por isso mesmo me despertou também curiosidade.

Muito impulso, muita ação não ponderada, sem uma análise em perspetiva. 

Acções curtas e simples, que trazem sentimento, e emoção fugaz, transmitindo paixão.

Preencheram porque já não me recordava o que fazer para sentir. E o facto de enumerar coisas tão simples, que saem da rotina, despertou em mim sensações que se tinham dispersado.

 

Por último, e num registo não tão descritivo como o curso de amor de Alain Buton, que também é um bom guidance, li MEC. 

E que gigantesca de tudo:

uma obra prima pelo realismo que transmite. Nao há - e não é uma critica mas antes uma saudação- pedaço de sonho, pedaço de mistério, mas antes uma bipolaridade de emoções que entendo ser natural por quem somos perdidamente apaixonados.  A crueza da ruga, a velhice, como podemos amar alguém assim, que por vezes é tão mau? E pelo facto de existir esse constante desafio, o compromisso é mantido. E a base, está na relação humana entre os dois.

Miguel não justifica a existência de amor por busca de felicidade, mas antes porque por razão desconhecida, não consegue desligar-se daquela bengala emocional, que o preenche.

Eventos relatados de forma tão crua, episódios tão simples e tão conflituosos que, naturalmente não precisamos de ter criatividade para mais. 

A forma profunda como aborda o tema da longevidade, da adrenalina da novidade em que a felicidade ocupa um espaço interior, de cada indivíduo , a história de vida que nos partilha mostra-o: as relações  flutuam e mudam, e estaremos na mesma enquanto esta nos satisfizer na dose que precisamos, em termos emocionais. Quando precisamos de algo mais, despolíramos a mudança e a saída da zona de conforto, sendo que nunca estaremos totalmente alinhados. A perfeição não existe e, e o amor, como mostram as meninas na infância também não.

Leitura pesada, com conteúdo e perspetiva. Amor completo, em todas as suas vertentes e sem tabus, onde a cumplicidade e o constante desafio prevalecem e explicam. Relação sem filtros e tabus, transparencia total, quer para o fim de uma aparência perfeita, onde a imaginação e a criatividade superam toda a cruel realidade.

 

Casa de Papel

01.05.18 | Delcy Reis

Estando tão trendy esta série, como poderia eu deixar de escrever sobre a mesma.

A casa de papel, das primeiras séries que vejo espanhola, que se posiciona em igualdade no que respeita a efeitos especiais e história, às demais séries que vêem do outro lado do Atlântico ( na sua maioria).

Reconheço que por forma a sentir-me ao tempo, fazia um esforço por acompanhar estas novas tendências e decidia ver uma nova série, mal me era recomendada, acho que por vezes sem a percepção de que realmente a queria ver, mas sim porque era novo para mim. Ou talvez para ter uma opinião, algo em comum, com um meio.

Bom, regressando à série propriamente dita.

Uma história cativante e que a mim em particular me cativou, pela identidade de cada um dos lideres do enredo, e porque me identifico claramente com as dúvidas, decisões e emoções partilhadas.

No caso de Raquel, curioso o seu nome, uma mãe solteira, com uma paixão e dedicação ao seu trabalho inigualável, uma obcessão pela prática do bem e pelo cumprimento das regras que permitem a ordem, no caos que se encontra  a sociedade global.

Raquel, uma mulher frágil, com uma personalidade forte, crente em ser capaz de  resolver todos os problemas de uma forma pragmática e eficaz, com uma determinanção que me é familiar, vive a sua rotina, enfrentando novos desafios pessoais, é coerente e determinada em provar ao mundo que é capaz de negociar sem ferir.

Contudo não o é, pelo menos moralmente e também perante a opinião publica, onde as armas da chantagem moral e emocional, exposição, e posição de força são usadas, para conquistar a vitória.

Salva, um ser também comum mas revoltado com o sistema, principalmente porque este bloqueou o sonho de seu pai, de imprimir liquidez no seu pequeno mundo. Inteligente, conservador, rico culturalmente e com uma capacidade de auto controlo fantástica, julga-se capaz de concretizar um plano infalivel, por tão detalhadamente estudado.

Conhecedor do ser humano, conhecedor que o domínio mais dificil de atingir para o ser humano são as emoções.

E estas descontrolam, tudo o que supostamente achamos que é controlável. E é na imprevisibilidade que mostramos a nossa capacidade de encaixe, adaptação.

Pessoalmente, a imprevisibilidade, traz-me adrenalina, e uma vontade de superação intensa, coom vontade de recuperar o que perdi, controlar, e alcançar o objectivo que pretendo.

Uma enriquecedora série, onde valores, principios morais, interesses individuais, relações emocionais são levadas á reflexão.

Pessoalmente, trouxe novamente a reflexão sobre o bem e o mal, a razão, a racionalidade, onde o bem, para atingir o objectivo é capaz de matar seres da sua propria raça e sociedade, e onde o dito mal, apenas pretende replicar o equilibro que o nosso sistema económico mundial gere, a uma escala mais pequena, e apenas com o intuito de alcançar a liberdade plena.

Pessoalmente, mostrou as forças que nos movem, em todas as nossas dimensões de vida. O que prevalece e é mais importante: a mente, o corpo e a liberdade que para uns, se representa pela estabilidade que têm, para outros, representa poder ir mais além.

A mente, pela percepção, o corpo pela sexualidade, a lliberdade pelo dinheiro.

Reforçou que não somos todos iguais, e feitos à mesma medida mas, semelhanças que possamos partilhar com alguém, de forma inesperada, aproximam-nos, porque existe interesse.

O balanço entre a gestão de uma sociedade, e a gestão de um grupo de sobrevientes.

O equilibrio, entre a razão, a carreira profissional, a exposição pública e a dita paz que todos nós buscamos, em gestos, momentos, bens, clima, tantas dimensões.

Série brindada por "Bella Ciao", música de revolta, contra o fascismo, e que evidencia, a beleza da juventude que se perde e se estraga com o trabalho.

Recomendo.