Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Dom | 29.04.18

Liberdade.

Delcy Reis

Palavra que, no mundo da filosofia, é vista como ausência de submissão e servidão, mas sendo eu também um ser racional gosto de a encarar por espontaneidade e autonomia que um ser racional pode e deve ter.

Tenho procurado recentemente valorizar ao máximo esta dimensão da vida, que só pode ser alcançada na sua plenitude, mesmo existindo algum compromisso, alguma responsabilidade. Terá que fazer parte, para me sentir equilibrada.

Acima de tudo não nos sentirmos presos, demasiadamente enredados pelos compromissos que temos na nossa vida, em virtude de podermos ficar escuros, sem energia.

Transição e liberdade ao invés do que comumente acontece na geração que me acompanha, onde as palavras de ordem são estabilidade, e compromissos já alcançados.

Refleti sobre esta palavra, recentemente a proposito do 25 de Abril, e do que nos caracteriza, por termos sido capazes de, promover a mudança sem violência.

Resta perceber se foi uma revolução eficiente, e devidamente valorizada.

De facto, anteriormente, tinhamos uma mente que realizava toda a gestão politica, económica e social do pais, onde a transparência, exposição e comunicação livre não existiam. Valores que devemos prezar por ter presente na nossa realidade.

Valores que também devemos refletir se efectivamente têm a sua praticabilidade, já que por vezes a comunicação não existindo, a estratégia não existindo, seguimos em frente por um caminho igual ao anterior, e mais uma vez, teremos que discernir se queremos provocar a rutura, a mudança e em que dimensão.

Hoje, dispomos de total exposição e falta de privacidade, de uma forma democrática, e aceite/ promovida por cada um de nós.

Dispomo-nos a essa exposição, talvez com o objectivo de nos sentirmos bem, pelo que alcançamos, porque o queremos partilhar, acreditando na restante humanidade.

Dispomo-nos a essa liberdade, por vezes sem limites. Sem reflexão.

A verdadeira liberdade de cada um de nós é aquela que nos permite agir de acordo com a nossa verdade, sermos genuinos, sendo que quem age com liberdade, naturalmente será aquele que melhor compreende as alternativas que precedem a escolha a tomar.

Mas, enquadrando-nos numa democracia e sociedade, a liberdade é sempre contingente, espontânea e refletida. 

Contingente, por ser casual e associada a quem o confere, espontânea pelo momento em que é colocada na prática tendo toda a sua atitude sido previamente refletida, quanto mais nao seja pela experiência que cada um de nós tem, e com o passar do tempo absorve.

E por mais que acreditemos na liberdade, estamos sempre fechados à nossa realidade, às nossas experiências, que nos fazem acreditar, ter esperança.

 

 

 

 

 

Seg | 16.04.18

Os nossos pecados mortais

Delcy Reis

Queremos ser genuínos, mas não somos.

Queremos fingir ser perfeitos, mas não somos.

A capacidade de controlarmos as nossas emoções, sentimentos, e principalmente aqueles que não nos trazem revolta, e a tal da menor felicidade, por vezes é difícil, quando nos expomos ao mundo. 

E que, para vingarmos temos que continuamente olhar em frente, acreditar, expor, digerir, engolir, vomitar, e avançamos para a próxima refeição.

Acredito que podemos ter um impacto, tamanho ou não, nos que nos rodeiam.

Acredito que, por maior falácia que seja, temos que forçar o controlo, quando não queremos que nos levem.

E, acima de tudo não devemos perder um rumo, pelos pequenos objectivos que nos vamos propondo e exigindo, para voltarmos àqueles grandiosos e que a mim me preenchem.

O orgulho, é certamente um dos ditos pecados, que mais me consola. É aquele ao qual mais me agarro, não de uma forma desmesurada, apenas para que, na solidão, me sinta bem.

 

Reconheço que, na sociedade atual, onde o tema da privacidade é também  tão atual, a exposição a que muitos de nós nos sujeitamos, não pensada, acaba por alimentar a competição, por bens que os outros têm, por aparências que os outros têm, e esquecemo-nos de nós. Daquilo que queremos, no tempo que nos é legitimo e da forma que entendemos. 

São negligenciados, os sentimentos puros e simples, porque simplesmente não se enquadram, ou não têm qualquer objectivo em concreto.

Passemos aos sete magníficos, que já são seis, pelo consolo a que me agarrei antes.

A gula, vejo como uma compensação emocional, um balanço de um prazer de vida, individual e que acarreta consequências menos saudáveis.

A avareza, entendo também como um refúgio, uma compensação pelo esforço capitalista e material, de uma vida melhor, onde nos é incutido que a mesma só o pode ser, tendo mais, em quantidade. 

Reconheco aqui, falta de controlo em geral, pela competição que é exigida, mediante o extrato social onde nos queremos encaixar, para nos sentirmos melhor. 

Deixamos de discutir o conteúdo, para passarmos a olhar para a forma, para o património.

 A luxúria, que entendo por paixão. Não a vejo como um pecado, antes como um sonho e uma força. Algo que me traz determinação em acreditar no que vejo, e me move para uma atitude. Talvez desmesurada, pouco ponderada, mas firme e segura. Tendencialmente, uma força que se desgasta, por não ser correspondida, por não retribuir com a mesma intensidade. 

Ira, pela falta de controlo, numa sociedade que evolui a um passo humanamente assustador, pela quantidade de informação a que nos expomos e que temos que ser expostos e dominar. Ira, pela falta de compreensão do receptor da mensagem, e da falta de tempo para a transmitir da forma pretendida, pela clareza de comunicação, que por vezes é insensível na forma como é transmitida.

Inveja, que tão mal faz, pela competição, pela cobiça pela necessidade que temos de nos motivar, tendo sempre por base o insucesso de alguém, e não tão somente o nosso sucesso.

Preguiçosos, pela falta de força em querer fazer mudar, em nos deixarmos enredar pelo que nos rodeiam, e não sermos por vezes capazes de cortar, e desviar o rumo, de acordo com os nossos ideais.

Representamos todos os sete, sem nos apercebermos, sem qualquer má intenção.

Serão pecados, ou motivações?

Fica a reflexão.