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Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Incompanhia

A companhia dos (in’s) INcerto INcoerente INconstante

Ter | 26.12.17

Cinzento Frio.Vermelho Quente e doce

Delcy Reis

No meio de tanta simbologia, procuro entender para mim que, agora significa o Natal. Sim, para mim que tenho uma família incrível, que em parte é também minha. Forçam-me a ver que o Natal apenas é das crianças, e que os adultos não têm lugar nesta festividade. Não concordo. Todos gostamos de receber presentes, todos gostamos de ser mimados. E tiremos da nossa cabeça que é um ato de consumismo, fazendo com que não o seja. Guardemos também para esta altura do ano, darmos aquilo que achamos que vai ajudar aquele familiar, de alguma forma a passar o tempo, colocando critério. Sim, o tempo que, por vezes é tão escasso e corre de uma forma tão rápida, e outras vezes não sabemos de que forma prazerosa o ocupar, sem ser com aquilo a que estamos habituados. O Natal, esta quadra, este ano, foi para mim outra vez diferente. Casa dos pais mais preenchida, com música, gritos, gargalhadas, ressonadas. Quatro gerações diferentes: os bisavós, já cansados e nada identificados, quer no Natal, quer nos hábitos do dia a dia. Apenas o bacalhau, e as rabanadas lhes trazem boas memórias; os bisnetos, sorrisos, por vezes. Os Avós, aqueles que transmitiram todos os valores espírito familiar, que procuraram assimilar sempre boas recordações, continuam a fazer um esforço por manter a tradição. E não deixei que desistissem, de adoçar o Natal com aqueles pequenos detalhes, que fazem com que seja o nosso Natal. Os tios, sempre pre-ocupados e deliciados com a sua criancice ressuscitada pelas suas crias, gerindo as relações e procurando ter um momento de paz individual. Geração, ainda bastante ligada a tecnologia, mas a procurar ensinar o amor. E eu, solteira, alvo de todas as atenções, onde as pessoas procuram encontrar no meu olhar a resposta para o meu estado de espírito. Como não encontram, perguntam insistentemente. Sei que é um Natal em que, se não estivesse seria talvez igual. Fui uma presença inócua, pretendi estar nos momentos mais simples, ajudar nas tarefas que doem, não em ficar no sofá enamorada pela lareira. Mas sim, foi um Natal de sombra. E não tem problema. Das poucas intervenções que tive, procurei quebrar com a rotina de cada um, fomentar a relação de irmãos, recordar e saborear os momentos qie tivemos. Dos três dias passados, ora entrava na mesma sala e via um ambiente de paz e harmonia, ora um ambiente de loucura, com uma banda sonora de DOORS e brinquedos a voarem pelo ar, com luzes psicadélicas. Para mim, o Natal, este ano foram nove momentos bem guardados no escritório: O Pico de cóqueras, a Serra da Estrela salpicada de neve, o lago de Lockness, com borboletas na barriga, a Tower Bridge depois da Portobello Road, O templo de Diana, com os primos , Pompeia e o fascinio de Itália, por toda a história Romana, Copenhaga e a magia dos vikings, Futuroscope com a projecção do futuro tecnológico e Vale do Loire, a rota dos castelos. Para eles, o Natal, foi a estrela vermelha e azul, que foi perdendo luz, e o pai Natal com as renas, que passou, bem atrás de casa, nós vimos, com a luz mágica em seu redor, os guizos a cintilar e nos trouxe tantas prendas e tantos abraços. Obrigada Pai Natal.

Qui | 14.12.17

Ciau Bella, cosa vuoi? Un cappuccino

Delcy Reis

Das frases mais bonitas que ouvi ate hoje. Poderá parecer um exagero mas, Itália, e o país que mais me enamora. E esta bebida. Acordar depois de um belo descanso, e ouvir bela, e um capuccino com uma mensagem na espuma do café, sem querer. Adoro estás coincidências. Sim, tenho a sorte de dizer que sou uma mulher do mundo. E que a diversidade do mundo me preenche. Sim, tenho sorte de ser enamorada por Itália, e de ela se enamorar por mim. A costa de Itália tem um misto de máfia com Portugal: somos capazes de ver um homem a grelhar, na rua, de boxers, e mesmo ao lado um ragazzo todo bem aparentado. Somos capazes de ver um bairro humilde de famílias pescadoras e passar por uma pequena vila chamada PortoVenere, pequena mas encantadora pela sua parte natural, mas também por todo o seu luxo. Viajei e conheci toda aquela costa, com o fresco do mar, e com um acordar delicioso, quente com uma espuma fofa e sabor a café. Ciau Bella, completa qualquer ego. Sem precisar de competir com qualquer outro, sei que ao meu me faz bem. Apesar de ser de um estranho. Não tenho vergonha. Sorri.

Seg | 11.12.17

Todo o mundo no palco

Delcy Reis

Olá, pequeno grande mundo. Escrevo este pequeno texto para partilhar o momento que hoje me trouxe muito. Trindade, teatro encantador e acolhedor de Lisboa onde vi, efectivamente todo o mundo num só palco. Sala intima, com um belo lustre. Dezanove artistas. Sim, para mim e, independentemente de o saber ou não, são todos artistas, que souberam representar a sua vida, de uma forma tão simples, mas ao mesmo tempo tão rica. Cada um, num espaço temporal de cerca de duas horas, partilhou o seu pequeno mundo, como entraram e porque o fizeram, neste nosso pequeno cantinho do ocidente. E que mundos tão diferentes e, cada um deles com emoções tão bem transmitidas: o desespero, a solidão, a tristeza, a alegria. Com um olhar, um grito, uma dança. Ajudou, ajudou a perceber melhor o papel que não temos, e que a vida e o nosso percurso é que nos vai construindo. Que o sonho, como o grande poeta António Gedeão uma vez escreveu, comanda a vida. O sonho de cada um deles, fez com que viessem para Lisboa: ou porque esta se assemelharia a uma Baía do Brasil, ou porque proporcionaria estudos que o seu país não daria, ou porque simplesmente representava um começo novo. A oportunidade de serem artistas num palco, e que a sua vida dá uma peça de teatro. E para alguns deles um começo sem nada, onde tudo foi perdido, família, bens, rumo. Onde, apenas as suas capacidades, e aquilo que gostavam de fazer os moveu. Ou então apenas a necessidade de sobreviver. De preencher um ego tantas vezes posto em causa. Aprendi a valorizar e estimar o que tenho, e que poderá ser pouco mas que me preenche na sua pequenez: família, bem estar e paz de espírito É legitimo que, cada um de nós tenha um caminho a percorrer, tantas vezes diferente daquele que sonhamos, tantas vezes destruído sem percebermos porquê. Percebi que ambição faz parte de cada um de nós, e esta sempre que presente alimenta o nosso ego que, deve cada vez mais e com o tempo, se deve ir ajustando, e talvez reduzindo, para podermos estar em paz. Duas horas, onde ri, chorei, pensei senti. Cada palavra, cada grito de desespero tão bem representado e transmitido. O palco, que foi Lisboa, abraçou 19 artistas, de uma forma calorosa, onde a diferença cultural, de percepção de cultura, foi visível e conseguiu comungar em paz. Sonhar que o mundo sobreviva tendo por base a música, o jogo de sombras de um par de mãos, uma dança não contada do filho pródigo. Sonhar que somos felizes só pela partilha. Duas horas em que saí do meu enredo de problemas. Duas horas em que sai da obrigação do ser. Estive, e fui feliz, com todo o mundo num só palco.